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Mais de 3,8 mil trabalhadores da região pediram demissão no 1ºtrimestre

Cindy Santos

| Edição de 13 de maio de 2022 | Atualizado em 13 de maio de 2022
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de 3,8 mil trabalhadores da região
pediram demissão no 1ºtrimestre

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De cada 10 demissões registradas na região, no primeiro trimestre deste ano, quatro foram a pedido dos funcionários. São mais de 3,8 mil trabalhadores que decidiram sair de seus empregos com carteira assinada, entre janeiro a março, o que corresponde a 36,9% de um total de 10.429 rescisões trabalhistas. Os dados referentes aos cinco maiores municípios da região mostram ainda que os desligamentos voluntários cresceram 11,8% no comparativo mensal. Em março foram 1.394 pedidos contra 1.249 demissões voluntárias em fevereiro.

O levantamento feito pelo Núcleo de Conjuntura Econômica e Análises Regionais (Nucer), da Universidade Estadual do Paraná (Unespar), campus Apucarana, com base nos microdados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), revela que o maior volume de desligamentos espontâneos ocorreu em Apucarana. Foram 1.800 pedidos, o que corresponde a 40% das 4.503 demissões totais.

Em Arapongas, os trabalhadores que pediram demissão correspondem a 33,5% das 4.671 demissões totais registradas no trimestre.

Jandaia do Sul o município com o segundo maior percentual de rescisões do tipo, 41,6%. Foram 218 solicitações ante 524 demissões gerais.

Em Ivaiporã, de cada 8 demissões, três foram a pedido do funcionário. No primeiro trimestre o município teve 551 demissões sendo que 218 foram a pedidos, o que representa 37,6%. Em Faxinal, as 59 demissões voluntárias representam 32,8% do total de 180.

A professora Lindinalva Rocha de Souza, que ministra a disciplina de Gestão de Pessoas e de Recursos Humanos na Unespar Apucarana, afirma que o empreendedorismo está entre os principais fatores que provocaram essa ‘debandada’ do mercado de trabalho formal, movimento que também ocorreu no cenário nacional com 603.136 desligamentos voluntários em março deste ano, o que corresponde a 33,2% de 1,7 milhão.

A professora observa que muitas pessoas começaram a empreender, seja por conta do desemprego ou para complementar a renda, principalmente durante a pandemia da Covid. A flexibilidade dos horários e a expectativa de crescimento estão entre as motivações para as demissões.

“As pessoas perceberam que são boas empreendedoras, que estão com seus empreendimentos encaminhados e não querem parar, pois sabem que têm potencial, que são competentes e que esses empreendimentos são pequenos, mas podem se tornar médio e até grande porte”, assinala.

O economista e professor da Unespar, Rogério Ribeiro, responsável pelo levantamento, comenta que existem pessoas que solicitam demissão para ingressar em um novo emprego com carteira assinada. “Neste caso há uma mobilidade positiva no mercado de trabalho”, comenta.

Mas de forma geral, o economista afirma que, geralmente, os pedidos de demissão ocorrem após uma reflexão acerca disso com planejamento prévio.

40% das mais de 4,5 mil demissões registradas em Apucarana entre janeiro a março ocorreram por opção do trabalhador