A Polícia Civil localizou ontem uma ossada humana em uma área de mata na região da Vila Reis, em Apucarana. Segundo a delegada Luana Lopes, titular da Delegacia da Mulher, os restos mortais seriam da costureira Cíntia Cristina Silveira da Costa, de 31 anos, desaparecida desde maio do ano passado. A descoberta do corpo ocorreu após a prisão de um homem de 31 anos, que confessou a autoria do feminicídio e indicou o local exato onde havia enterrado a vítima em uma cova rasa. A identidade, entretanto, ainda precisa ser confirmada pelo Instituto Médico Legal (IML), mas a polícia trata o caso como solucionado.
Segundo a delegada, o autor do crime estava custodiado na cidade de Campinas (SP), onde foi preso após ser identificado como principal suspeito. Em depoimento, o homem admitiu ter assassinado a vítima com três golpes de faca após uma desavença em sua residência na Vila Reis. O motivo da discussão foi que Cíntia queria ir embora, mas ambos estariam embriagados e, supostamente, drogados, e ele não tinha condições de levá-la.
Por meio da quebra de sigilo telefônico da vítima, a polícia descobriu que o investigado conheceu Cíntia em uma festa e trocou números de celular com ela. Ainda conforme a delegada, os dois saíram juntos do local, informação que é confirmada pelo suspeito e por testemunhas que, inicialmente, apontaram um carro branco, de quatro portas e pintura descascada, cujas características batem com as do veículo Parati utilizado por ele. “As informações que tínhamos é que a última vez que o celular funcionou teria sido na Vila Reis. O celular dele também. Tudo nos dava a informação de que eles estariam juntos na saída da festa e no último momento em que ela estava com vida”, informou a delegada.
Também chamou a atenção da polícia o fato de o suspeito pedir demissão de seu emprego, onde trabalhou durante seis anos, dias após o sumiço da vítima. “Cíntia desapareceu na madrugada de 25 de maio. No dia 28, logo após o ocorrido, ele aparece com a mão cortada e pede as contas. Descobrimos que ele havia voltado para a cidade natal dele, Campinas. Ele foi localizado e preso com apoio da Delegacia de Homicídios local”, informou.
No curso das investigações, a polícia realizou escavações na casa do suspeito, no distrito de Vila Reis, mas nada foi encontrado, sendo necessária a transferência do preso para indicar o local exato.
“Sem a presença dele aqui, nós não teríamos conseguido localizar esse corpo. Inclusive, nós tentamos de forma remota, mas não foi possível”, explicou.
O suspeito afirmou ter agido sozinho no ocultamento do cadáver. No local indicado, a perícia criminalística constatou que os restos mortais apresentavam vestes compatíveis com o relato do agressor. Devido ao estado da ossada, a polícia deve realizar exames de confronto genético para a confirmação laboratorial da identidade. O preso permanece à disposição da Justiça e existe a possibilidade de sua transferência definitiva para o sistema prisional de Campinas, por questões de segurança.