ABRAHAM SHAPIRO

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A teoria do cavalo morto

Da Redação

| Edição de 24 de fevereiro de 2025 | Atualizado em 24 de fevereiro de 2025

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A Teoria do Cavalo Morto é um daqueles conceitos que fazem você rir e, ao mesmo tempo, repensar muita coisa na vida. Ela vem de um provérbio indígena que diz: “Quando você perceber que está montado em um cavalo morto, desça.” Simples, direto e, ainda assim, amplamente ignorado no mundo real.

Na prática, muitas pessoas se recusam a aceitar que algo não funciona mais. Então, em vez de desmontar do cavalo falecido e seguir outro caminho, insistem em estratégias cada vez mais absurdas. Tentam motivá-lo com discursos inspiradores, trocam a sela por uma mais sofisticada, contratam consultores para analisar sua performance, criam comitês para discutir sua resiliência e, se nada disso funcionar, amarram dois cavalos mortos juntos para ver se andam melhor em equipe. Alguns até fazem benchmarking com outros cavalos mortos, tentando descobrir qual foi o “segredo” para que eles falhassem de forma “mais eficiente”.

Parece ridículo? Pois acontece o tempo todo – na vida, na sociedade, nos negócios.

Empresas mantêm projetos que não dão lucro, profissionais se agarram a carreiras que não trazem mais realização, relacionamentos seguem arrastados apenas por costume. Tudo isso porque admitir que algo acabou exige humildade, coragem e, principalmente, disposição para recomeçar.

Mas a verdade é inescapável: um cavalo morto não volta a correr ou mesmo trotar. A única coisa sensata a fazer é desmontar, aceitar a perda e buscar um novo caminho. Sim, dói. Dói perceber o tempo perdido, dói admitir o erro. Mas libertar-se desse peso é um ato de inteligência.

No fim, não há glória em insistir no que já morreu—há glória em saber a hora de partir e recomeçar.