Na região, a cada quatro nascimentos, apenas um é realizado através de parto normal. Apesar do Governo Federal realizar medidas e programas com o intuito de aumentar a prática do parto natural, o alto índice de cesáreas se manteve estável desde 2014, de acordo com dados da 16ª Regional de Saúde (RS) de Apucarana. De acordo com obstetra, ambos os procedimentos possuem vantagens e riscos.
O levantamento realizado pela 16ª RS de Apucarana utiliza dados até 9 de junho deste ano. Segundo a pesquisa, de 2014 até agora, mais de 10,3 mil partos foram realizados nos 16 municípios da região que fazem parte do órgão. Destes, apenas 2,5 mil, ou 24,4%, foram partos normais. O restante, cerca de 7,8 mil, ou 75,6%, são de cesarianas.
De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), o índice recomendável de cesáreas é de 15%. No ano passado, o Governo Federal botou em prática uma resolução buscando pressionar as empresas de planos de saúde para diminuir a quantidade de partos cesáreos no Brasil.
No entanto, a iniciativa não surtiu o efeito necessário, o que levou o governo a anunciar, no mês passado, o Protocolo Clínico de Diretrizes Terapêuticas (PCDT) para Cesariana. O objetivo do documento é auxiliar e orientar os profissionais da saúde a diminuir o número de cesarianas desnecessárias, uma vez que o procedimento pode aumentar da probabilidade de surgimento de problemas respiratórios para o recém-nascido e grande risco de morte materna e infantil.
O parto normal ainda é alvo do medo de boa parte das mulheres. “Acho que o parto normal é algo muito sofrido. Por isso, não quero nem saber de parto normal. Já fiz uma cesárea e farei novamente para o meu próximo filho”, afirma Carla Cristiane de Moura. Ela está grávida de sete meses do Lorenzo.
Mas também existem mulheres que defendem o parto normal. “Estou grávida do meu terceiro filho. Os dois primeiros nasceram através de parto normal e o terceiro não será diferente. A recuperação é muito mais rápida, é uma situação bem menos invasiva ao corpo. É natural”, conta Ivete Mariana da Rocha, grávida de 9 meses da Emanuele.
De acordo com o obstetra da Casa da Gestante de Apucarana, Sérgio Luiz Rigon Filho, a decisão da mulher pelo tipo de parto deve ser feita ao longo do pré-natal. “É no pré-natal que as mulheres tiram suas dúvidas e escolhem a maneira que mais a agrada. O que fazemos é orientar as mulheres, fornecendo a maior quantidade de informações possível”, diz.
“No parto normal, a recuperação da mulher é mais rápida, mas em alguns casos pode haver complicações com a criança. No entanto, a cesárea é uma cirurgia de grande complexidade, podendo gerar uma série de complicações advindas desse tipo de procedimento”, afirma.