Antes plantada apenas como forma de subsistência, a batata doce tem se tornado uma boa opção de renda para os produtores, tanto pela boa produtividade quanto pelo mercado atualmente favorável à produção. Nos últimos dois anos na regional de Ivaiporã da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Paraná (Seab), segundo informações do Departamento de Economia Rural (Deral), a produção com fim comercial cresceu de cerca de 30 para 100 hectares. Para este ano, a expectativa é de um crescimento de 50% da área plantada.
Conforme Sérgio Carlos Empinotti, agrônomo do Deral, o aumento do plantio da cultura se deve principalmente à redescoberto do tubérculo alavancada pela onda fitness. Segundo ele, a batata doce é uma ótima fonte de energia, pois é um alimento de baixo índice glicêmico, com uma absorção mais lenta, o que disponibiliza mais energia para o organismo. “Com isso, o tubérculo conquistou de vez os adeptos das academias que querem manter a forma e melhorar a disposição. Consequentemente, o consumo que antes era restrito às festas juninas se diluiu no ano todo”, relata Empinotti.
Em Faxinal, na localidade de Três Barras, no sítio Chique Chique, o produtor Donizete Sartor está no ramo há mais de 30 anos e agora, por conta do aumento da demanda, está ampliando a área plantada. “Na verdade, a gente sempre plantou batata doce mas no ano passado tivemos alguns problemas com mão de obra e acabei diminuído a área plantada, plantamos cerca de 3,00 ha. A ideia agora é voltar a plantar os 26 hectares como sempre plantei”.
Ryan Sartor, filho de Donizete que nesta semana, preparava a área para o plantio de mais 8 hectares do tubérculo, explica que o plantio acontece a partir de agosto e se estende até março. Segundo ele, o mercado da batata doce costuma flutuar bastante. Atualmente o mercado paga pelo produto R$ 20 a caixa (20 quilos). “Varia muito. Em 2016 eu vendi até por R$ 43, mas em 2017 teve meses que cheguei a vender por R$ 6. Eu sempre tenho feito uma média é prejuízo nunca deu”, afirma Donizete. O custo de produção é em torno de R$ 10 a caixa.
Outro fator importante no cultivo de batata doce é a mão de obra utilizada, desde o cultivo até a colheita. “Vamos supor que a pessoa produza duas mil caixas. Nessa conta ela vai ter que dispor de 80 diárias na colheita. São mais 50 pessoas para plantar e 40 diárias para limpar e carpir. Hoje a diária é R$ 50”, diz.
Com relação à produção Donizete diz que não encontra problemas na comercialização. “Como sou produtor há muito tempo tenho mercado garantido. A minha produção vai para Curitiba e uma parte para Piedade (SP)”, comenta. (IVAN MALDONADO)