A crise enfrentada por praticamente todos os setores da economia brasileira tem atrapalhado a chegada a um acordo nas convenções salariais nos mais variados campos de produção. Atualmente, por exemplo, sindicatos dos trabalhadores e dos empresários no ramo moveleiro de Arapongas, estão em negociação, mas outras áreas já se preparam para discussões difíceis. A incógnita para algumas categorias é se o reajuste salarial atingirá o patamar da inflação.
Com data-base em 1º de maio, o setor moveleiro encontra-se no meio da discussão salarial. Aparentemente, as bases para o reajuste já foram definidas: os trabalhadores deverão ter acrescidos aos seus salários os 9,83% no Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que é o índice da inflação oficial do período. A discussão se dá agora pela forma de repasse desse valor.
“Já tivemos três mesas de discussão, sendo a última realizada ontem [anteontem]. Chegamos a um consenso no índice de INPC. No entanto, o sindicato patronal quer parcelar o reajuste, e isso nós não aceitamos. A inflação já é uma perda para o trabalhador. Adiar ou parcelar o reajuste faria com que o trabalhador perdesse ainda mais”, destaca Carlos Roberto da Cunha, presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção e do Mobiliário de Arapongas (STICMA).
Presidente do Sindicato das Indústrias Moveleiras de Arapongas (Sima), Irineu Munhoz destaca a busca por um meio-termo. “A situação econômica do país está afetando tanto os empresários quanto os trabalhadores. Por isso, chegarmos a um consenso fica um pouco mais difícil. Mas acredito que, com calma e paciência, conseguiremos chegar a um acordo que seja bom para os dois lados”. A próxima discussão da categoria deve acontecer em junho.
COMÉRCIO
A data-base do setor de comércio varejista em Apucarana é só no dia 1º de julho. No entanto, ela já é tratada com apreensão pelos dois lados da discussão, devido às dificuldades econômicas enfrentadas pelo setor, que refletem a crise nacional.
De acordo com o presidente do Sindicato dos Empregados no Comércio de Apucarana (SIECAP), Anivaldo Rodrigues da Silva, a luta da categoria é uma equiparação salarial com os municípios de Londrina e Maringá. No entanto, ele acredita que neste ano deve ser difícil atingir a meta. “Os trabalhadores dessas outras cidades ganham entre 6 e 7% acima de nós. Entendemos que é importante haver uma equiparação salarial, mas sabemos que é bem difícil conseguir algo acima do INPC neste ano”.
Para a presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Apucarana (Sivana), Aída Assunção, até mesmo o índice da inflação será difícil. “Não sei se conseguiremos atingir o índice do INPC. Esse é um ano atípico e não há grandes perspectivas. Sabemos que o trabalhador deve ter compensação salarial, mas a situação é complicada. É preciso encontrar uma solução que não fique ruim para o trabalhador, mas que o empresário consiga arcar”, assinala.
Vestuário ainda não definiu bases
A data-base do setor de vestuário em Apucarana é apenas no dia 1º de setembro. Por isso, os sindicatos patronal e classista ainda não definiram as bases que levarão até a mesa de negociações. No entanto, a torcida de ambos é que a situação do país melhore até lá.
“Esperamos que a inflação possa ser reduzida até lá. Assim, poderíamos conseguir uma negociação melhor para todos. Mas, com a situação política mudando tanto, fica difícil prever algo”, diz Jayme Leonel, presidente do Sindicato das Indústrias do Vestuário de Apucarana e Vale do Ivaí (Sivale).
A presidente do Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias do Vestuário de Apucarana e Região (STIVAR), Maria Leonora Batista, já sabe quea convenção coletiva será difícil. “Sempre conseguimos ganho real e, portanto, nossa expectativa é essa também para este ano. No entanto, sabemos que não será fácil, por conta da situação econômica geral”, diz.