De um lado consumidores. Do outro, lojistas com produtos a preços acessíveis. Tudo estava preparado para ser mais um dia de vendas na 24ª Festoque de Apucarana, porém uma liminar concedida na noite de anteontem pela 1ª Vara Cível impediu o funcionamento do evento. Pelo menos durante a manhã de ontem, apenas lojistas e funcionários identificados podiam entrar no local. Após nova vistoria do Corpo de Bombeiros, que manteve restrições ao funcionamento do evento e liberação de alvará, a Associação Comercial, Industrial e de Serviços de Apucarana (Acia) impetrou, no início da tarde, junto a 1ª Vara Cível novo pedido para liberação da feira.
A suspensão gerou surpresa entre os consumidores e indignação por parte dos lojistas. Como a medida foi expedida pela Justiça na noite de sexta-feira, muitos consumidores foram até o Tropical Shop na manhã de ontem, mas acabaram indo embora sem comprar nada. O pequeno empresário Edson da Costa, de 46 anos, é um exemplo. Ele aguardou cerca de 50 minutos pela abertura do evento e decidiu fazer suas compras no comércio. “Sempre economizo para gastar na Festoque. Eu estou frustrado, porque queria economizar. Tinha reservado cerca de R$ 800 para comprar roupas e calçados para meus filhos e netos”, diz.
A auxiliar de escritório Regiane Fabene, 26 anos, que também sempre visita o evento, tinha como objetivo comprar sapatos, mas desistiu. “Acho que não vou voltar mais. Faltou respeito com os consumidores e lojistas”, avalia.
Para o comerciante do ramo de calçados, que pediu para não ter o nome divulgado, a suspensão da feira causou prejuízos. “Eu sempre participo, mas imaginava que o espaço fosse regularizado. Além da compra do estande, tem hora extra e lanche. É prejuízo para o lojista”, afirma.
A liminar que determina suspensão da feira foi expedida mediante ação cautelar impetrada pelo MP, que questiona a segurança do evento, que não tinha aval do Corpo de Bombeiros para funcionar. Ontem, após nova vistoria, um novo laudo foi emitido pela corporação, que reconheceu melhorias, mas manteve restrições ao funcionamento da feira.
O comandante do Corpo de Bombeiros, major Hemerson Saqueta, destaca que as principais observações são referentes à estrutura do prédio. “Quanto à Festoque, exige-se algumas normas de segurança por ter uma grande presença de público. As maiores pendências são sobre a edificação do local”, complementa.
O comandante também fez questão de frisar que o Corpo de Bombeiros não emite liberações, apenas apresenta o laudo da vistoria de acordo com as normas de segurança vigentes. “Nós fazemos apenas um retrato da situação e passamos para as autoridades, que têm autonomia para fazer a liberação ou não”, observa. O laudo é emitido deste o início da feira do local há cinco anos.
Sobre as normas de segurança, Saqueta explica que houve alterações. Por exemplo, a saída de emergência foi sinalizada. “A Acia se esforçou e houve um avanço muito grande quanto algumas pendências”, pontua.
Porém, no laudo consta outras pendências, como instalação de sistema de hidrante, corrimão nas escadarias, barras anti-pânico nas saídas de emergência, entre outros.