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Descentralização do comércio e serviços ganha força em bairros

Renan Vallim

| Edição de 03 de agosto de 2016 | Atualizado em 02 de dezembro de 2016

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Expansão imobiliária, investimento em infraestrutura nos bairros e até mesmo o custo de locação mais vantajoso. Esses são alguns dos motivos que estão levando à descentralização do comércio e da área de serviços em Apucarana. Pelo menos seis ruas e avenidas da cidade registram um período de bom crescimento ou consolidação de negócios, gerando movimento nos bairros.

De acordo com a Secretaria de Indústria e Comércio de Apucarana, as vias que vêm se beneficiando da descentralização são as avenidas Central do Paraná (Jardim América), Viação (Vila Nova, jardins Castelo Branco e Colonial) e Itararé (Jardim Ponta Grossa), além das ruas Bington (Jardim Trabalhista), Rio Tibagi (Núcleo Habitacional João Paulo I) e Cristiano Kussmaul (Jardim Interlagos).

Imagem ilustrativa da imagem Descentralização do comércio e serviços ganha força em bairros

Secretário responsável pela pasta, Moacir Salve destaca o empreendedorismo que movimenta esse crescimento. “A crise, apesar de ruim, acaba despertando o espírito empreendedor das pessoas. A criação da modalidade de Micro Empreendedor Individual (MEI), com acesso a crédito facilitado para microempresários, tem papel fundamental nesse crescimento nos bairros”, analisa.

De acordo com Moacir, Apucarana tem sido referência no estado entre os MEIs. “Temos mais de 4 mil empresários cadastrados nessa categoria em Apucarana, sendo que grande parte desses empresários está nos bairros. Para dar suporte a esse crescimento, a Sala do Empreendedor oferece a essas pessoas capacitação gratuita, apoio e consultoria para que os empreendimentos possam prosperar”, lembra.

Presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Apucarana (Sivana), Aída Assunção vê essa descentralização como muito positiva. “Tem muita gente investindo nos bairros e fazendo muito sucesso. Acredito que é um reflexo natural do crescimento da cidade. Muita gente não tem condições de ir ao centro da cidade sempre que necessário. Então, o comércio nos bairros chega para atender essa demanda”, diz.

Segundo ela, há vantagens muito boas sendo exploradas pelos empresários desses espaços. “Apesar de um menor fluxo de pessoas nos bairros em comparação com o centro, o custo do empresário é menor com aluguel, por exemplo, além de criar uma clientela mais fiel em muitos casos”, ressalta.

EXPERIÊNCIA

Sócio proprietário de uma lanchonete na Avenida Viação, Caio Henrique da Silva conta que não se arrepende de ter saído da região central da cidade. A região onde ele atua recebeu recentemente uma série de investimentos em estrutura, caso da Capela Mortuária e do Cisvir, que começaram a funcionar recentemente, ampliando a demanda local.

“Estamos há pouco mais de três meses aqui no bairro e estamos muito contentes com os resultados. A lanchonete cresce a cada dia, com novos clientes que estão ainda conhecendo a gente. A região como um todo está crescendo e nós estamos aproveitando isso”.

Ele afirma que tem lucrado mais no Jardim América do que no centro da cidade. “O custo é maior no centro. Isso faz com que o lucro diminua. A diferença de aluguel é de quase R$ 2 mil. O centro leva vantagem por conta do alto fluxo de pessoas e da melhor estrutura. Onde estamos com a lanchonete hoje já foi loja, vidraçaria... A falta de pontos de comércio estruturados ainda é algo que sentimos falta, sobretudo para uma lanchonete”, comenta.

Dono de uma loja agropecuária há cerca de dois anos na Rua Cristiano Kussmaul, Fernando do Prado diz que muitos consumidores ainda têm a ‘ilusão’ de que os estabelecimentos no centro da cidade são melhores. “Acredito que dá para encontrar preços melhores nos bairros. Como os custos são menores para manter o negócio, o preço dos produtos pode ser mais barato”, acredita.

Ele ressalta ainda que possui uma boa clientela e, por isso, não trocaria o bairro pelo centro. “Há várias vantagens para o empresário que investe nos bairros. É possível prosperar fora do centro da cidade”.