Quanto custa o Brasil? Quanto você pode contribuir com o País? Esses foram alguns questionamentos apresentados para mais de 200 adolescentes, entre 14 e 18 anos, na Guarda Mirim de Arapongas pela procuradora da Fazenda Nacional Regina Hirose, que também integra o Observatório Social do município e viaja pelo Brasil fazendo palestras sobre educação fiscal. A inciativa tem como finalidade conscientizar os jovens sobre a importância da educação fiscal, que engloba evasão tributária tanto via corrupção quanto sonegação. Por outro lado, ensina outro aspecto: a importância da vigilância do dinheiro público.
Na avaliação da advogada, em um período de 15 a 20 anos, a população brasileira terá uma consciência fiscal maior. “Serão adultos mais ativos. Líderes que farão a diferença. Podemos observar trabalhos recentes que já surtiram efeito, como a preocupação com o meio ambiente, educação no trânsito. As crianças e os jovens são realmente os melhores fiscais. É uma nova consciência que vem aí. É um pensamento progressivo”, acredita.
Por isso, o trabalho de educação fiscal é voltado especialmente para o público infantil e jovem. “O Brasil é um país que dá certo com certeza. Não é um discurso raso. E para os jovens: vocês são quem vão transformar este país. Vão ocupar os espaços nos setores públicos e privado. Serão nossos futuros líderes”, afirma.
A mensagem de otimismo da procuradora tem por objetivo enfrentar o pessimismo deixados pelos sucessivos escândalos de corrupção. “As instituições melhoraram sua atuação, tanto pública quanto privada. As contas públicas estão mais transparentes, o que é também uma cobrança internacional. Porque um país com alto índice de corrupção, afasta os bons investidores”, observa.
Ela chama atenção para outro detalhe tão corrosivo quanto a corrupção: a sonegação. “O Brasil perde R$500 bilhões, em média, por ano só em sonegação e a corrupção está lado a lado com a corrupção. Faço esse trabalho de conscientização, porque é dinheiro que nos faz falta para atender as demandas sociais, como saúde, educação e habitação”, aponta.
Regina explica ainda que a tributação é feita de forma indireta. “A carga tributária está emitida no preço dos produtos. Com isso, proporcionalmente, um trabalhador comum tende a pagar proporcionalmente mais”, diz. Como exemplo, ela cita que estudos apontam que quem ganha até dois salários mínimos tem 49% dos seus rendimentos comprometidos com tributos. Por outro lado, quem ganha acima de 30 salários mínimos, esse índice cai para 26%.
Para reverter esse quadro, ela propõe é fazer uma reforma tributária, para rever todo o sistema no Brasil. “Para chegarmos nesse grau de entendimento, precisamos também termos políticos preparados. Aí que entra o voto consciente”, ressalta. Porém, antes disso, a procuradora pede algo mais simples, que pode ser feito no dia a dia para combater a sonegação e a corrupção.