O clima não está favorável à produção de uva no município de Rosário do Ivaí, maior produtor uva rosada no Paraná. Estiagem, depois excesso de chuvas e granizo ocasionam prejuízos ao viticultor. No município, são mais de 150 pequenos produtores rurais dedicados ao cultivo da fruta, em área de aproximadamente 160 hectares. A estimativa de queda na produção para a colheita que será iniciada em novembro é de 33%.
O Departamento de Economia Rural (Deral), do escritório regional de Ivaiporã da Secretaria de Estado de Agricultura e Abastecimento (Seab) baixou a estimativa de colheita. A previsão anterior, de 3 mil toneladas foi reduzida para 2 mil toneladas por conta das intempéries. “Tivemos um ano muito atípico. Quando deveria ter chovido veio a estiagem, depois veio a chuva e o granizo prejudicando a produção de uva”, relata o agrônomo do Deral, Sérgio Empinotti.
Juvenal Braz da Silva, presidente da Associação dos Produtores Rurais de Rosário do Ivaí (Apri), diz que os produtores estão preocupados com a queda na produção. Além disso, fatalmente a economia do município também será prejudicada.
“É prejuízo para o produtor e para o município. O produtor tem o seguro, que ameniza um pouco a situação e paga parte das despesas. Mas na verdade têm ainda as despesas da colheita e o lucro vai ficar bem pouco este ano, o que vai interferir bastante também no comércio de fim de ano”.
Ainda conforme Silva, atualmente o preço do quilo da fruta paga ao produtor no estado de São Paulo, que baliza a cotação da região, é R$ 4,50 a R$ 5,00. “Isso na região de Fernandópolis, Palmeira do Oeste e Jales, onde tem uva nesta época. Aqui quando inicia a colheita, geralmente a cotação começa em torno de R$ 4,00 a R$ 4,20. É um preço bom, mas não mantem até o final da safra e deve cair para R$ 2,50 a R$ 3,00”.
Apesar das intempéries, Silva diz que a produção de uvas é um grande negócio para o pequeno produtor. “É viável porque a produção é alta e, ao final da colheita, geralmente traz uma boa rentabilidade, além de trazer oportunidade de empregos para as pessoas do campo”.
O produtor João Maria Machado Assunção há três anos deixou o trabalho de diarista na colheita de café em Grandes Rios para trabalhar de meeiro em uma pequena propriedade com 8 mil pés de uva em Rosário do Ivaí. “São duas colheitas durante o ano. Apesar de este ano a renda cair um pouco por causa do granizo dá para sustentar e controlar as despesas da família sossegado”. No ano passado, Assunção teve uma renda mensal média de R$ 1,5 mil com o cultivo da fruta.