Com faixas e cartazes, familiares e amigos do adolescente João Victor de Souza, de 16 anos, que foi assassinado por dois colegas de escola na última sexta-feira à noite, se reuniram ontem à tarde para pedir justiça em frente ao Fórum de Faxinal. A manifestação, que teve início às 13 horas, também contou com colegas de sala, que frisaram nas mensagens a importância do respeito no dia a dia. Os adolescentes, ambos de 15 anos, que assassinaram João Victor, utilizando pedaços de madeira e um canivete, confessaram o crime e aguardam uma vaga para internação em uma unidade do Centro de Socioeducação (Cense) no Estado.
Apesar do promotor da Vara de Infância e Juventude de Faxinal pedir pela internação provisória dos dois adolescentes, o protesto tinha justamente o objetivo de pressionar a Justiça, para que não sejam liberados. Segundo o Estatuto da Criança e Adolescente (ECA), os adolescentes apreendidos em flagrante e mantidos em cadeias devem ser encaminhados a uma unidade de internação no prazo máximo de cinco dias. Caso contrário, devem ser liberados.
De acordo com delegado Antônio Silvio Cardoso, os adolescentes confessaram o crime e alegaram ter sido vítimas de bullying. “Este foi o motivo que alegaram durante o depoimento, mas ainda estamos investigando as causas. Vamos ouvir colegas de salas, para comprovar se realmente ocorria bullying. A única certeza é que algo aconteceu para desencadear o crime, o que não justifica uma ação tão brutal”, avalia.
O assassinato logo após o término de uma festa julina, que ocorria no ginásio de esportes do Colégio Estadual Érico Veríssimo, chocou a comunidade escolar. “Estamos estarrecidos com esta tragédia. Os alunos e professores estão muito tristes com a situação”, frisa a diretora da instituição de ensino, Marilza Turra. A festa julina, de acordo com ela, era uma atividade para integrar os pais com a comunidade escolar. “Era uma atividade fechada”, afirma. O evento ocorreu somente na sexta-feira, conforme estava previsto.
Segundo ela, os alunos envolvidos no caso estudavam no período da manhã em séries diferentes e não apresentavam histórico de indisciplina. “Não tem nenhum registro de bullying envolvendo esses adolescentes. Se tivéssemos consciência do problema, teríamos trabalhado para resolver”, garante. Dos dois adolescentes que estão detidos, um estudava no 1º B e o outro 1º A. Já a vítima cursava o 2º do Ensino Médio.
Diante da tragédia, a diretora revela que todos os professores estão trabalhando com os alunos sobre bullying, promovendo o diálogo, a reflexão, o respeito e, principalmente, a importância da tolerância.
O crime – O assassinato aconteceu, por volta das 23 horas, Rua Ismael Pinto Siqueira, a 50 metros da casa da vítima, que foi atacada por pauladas e vários golpes de canivete. João Victor chegou a ser socorrido, mas não sobreviveu às agressões. E os autores detidos em flagrante pela Polícia Militar.