om a alta da inflação, que já bateu a casa dos 10% este ano, e, consequentemente com a redução do poder de compra do consumidor, organizar o orçamento doméstico, mais do que nunca, é fundamental para não entrar no “vermelho”, em especial, nesta época do ano, que vem acompanhada de presentes, confraternizações e despesas extras. Com o intuito de ajudar as famílias a equilibrar as contas, o Conselho Federal de Contabilidade, em parceria com os Conselhos Regionais, elaborou uma apostila com dicas de como organizar o orçamento. A delegada do Conselho Regional de Contabilidade, Maria Célia Mariotto Moroti, de Apucarana, avalia que os cuidados com o orçamento deve ser os mesmos seja em tempos de crise, ou não.
Para a economista, as pessoas não têm o hábito de economizar e sempre procuram uma justificativa, como a crise econômica atual, para não poupar. “Sempre há uma justificativa para não economizar. Porém, o cuidado com as finanças deve ser constante, porque as necessidades de consumo são incessantes”, pontua. Entre as práticas que devem ser observadas com cuidado em qualquer época do ano e em qualquer cenário econômico são as compras desnecessárias. Isso incluiu, de acordo com a especialista, o que vai para o carrinho no supermercado.
Para não se surpreender com o valor da compra no caixa, Célia recomenda fazer uma lista do que realmente necessita ser comprado e não se deixar levar por ofertas. “É imprescindível que não fique deslumbrado com as promoções e acabe levando para casa produtos que não precisa e, às vezes, nem usa”, frisa. Ainda no supermercado, Célia sugere que quando um produto que era adquirido habitualmente subir o preço, substitua-o por outro mais em conta. A mesma dica vale para o vestuário.
“Os cortes de gastos têm que acontecer em todos os setores, seja de uma empresa ou em casa, porém não podem comprometer o andamento do cotidiano”, avalia.
Outra economia que podem ser feitas diariamente, segundo ela, é a contenção de energia elétrica, controlando o uso de aparelhos eletrônicos e domésticos, além de apagar as lâmpadas em desuso. O reaproveitamento de água da chuva ou da máquina de lavar também ajudam a economizar. Outra dica da especialista é abastecer o carro uma vez por semana, para evitar desperdício. “A primeira metade do tanque do veículo geralmente dura mais que a segunda, por que não conservar o tanque cheio, andando menos e economizando de verdade?”, questiona.
RENEGOCIE
Quando se trata de dinheiro, Célia revela que um erro muito comum é recorrer a bancos, financeiras ou a agiotas para saldar uma dívida. “Esta medida geralmente compromete ainda mais o orçamento. Quando se percebe, a dívida nova é maior que a anterior”, observa. Por isso, a economista aconselha, para quem está com dívidas e não consegue quitá-las, renegociar direto com o credor, em parcelas pequenas e, se possível, sem juros ou com juros acessíveis.
Saia às compras com objetivos definidos
O clima de festa que envolve o Natal e o Réveillon também esconde verdadeiras armadilhas financeiras. Para fugir de compras desnecessárias, a economista Célia Mariotto Moroti, de Apucarana, mais uma vez, recomenda fazer uma lista de quem presentear e colocar limite no valor a ser gasto.
“Tem que sair às compras com objetivo e, se não for possível comprar um presente, compre uma lembrancinha ou um simples cartão. O importante é demonstrar o carinho. O ato de presentear deve ser apenas em datas especiais”, diz.
Para a ceia, ela sugere também fazer uma lista antes de ir ao supermercado e comprar somente os ingredientes que serão utilizados para as receitas. Outra alternativa é cada participante levar um prato, assim não compromete o orçamento de ninguém.
“Todos querem vida nova, melhores dias. Então, é melhor começar o ano sem a preocupação com vencimentos de parcelas gastos com presentes, afinal, teremos pela frente IPVA, IPTU, escolas e tantas outras obrigações”, lembra.