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Feirão dos Impostos faz alerta para peso da carga tributária

Ivan Maldonado

| Edição de 26 de maio de 2016 | Atualizado em 02 de dezembro de 2016

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Se não fossem cobrados impostos, o botijão de gás de cozinha poderia custar R$ 23,04. Isso porque 64% do valor, comercializado hoje a R$ 64 em Ivaiporã, são impostos. Dependendo do produto, a carga tributária pode ser ainda muito maior. Caso dos eletrônicos. Um notebook com custo aproximado de R$ 1,7 mil sairia pela bagatela de R$ 577 sem impostos. Para chamar atenção da população para a carga tributária que o consumidor paga todos os dias, o Conselho do Jovem Empresário (Conjove) da Associação Comercial, Industrial e Serviço de Ivaiporã (Acisi) promoveu ontem, mais uma edição do Feirão do Imposto no canteiro da Avenida Souza Naves.

Imagem ilustrativa da imagem Feirão dos Impostos faz alerta para peso da carga tributária

Além de chamar atenção da comunidade sobre a incidência de impostos nos produtos, o evento levanta a bandeira da correta aplicação dos recursos públicos. Os jovens empresários permaneceram em barracas onde expostos os mais diversos produtos com os preços estimados com e sem o imposto.

Segundo o presidente do Conjove local, Márcio Cardoso Marques, o projeto repassa aos consumidores, de forma fácil e simplificada, informações sobre os impostos e o impacto deles na vida das pessoas. “O Brasil tem uma das maiores e mais complexas cargas tributárias e complexa do mundo. São mais de 80 tipos de impostos diferentes, no entanto, somos o País o que menos repassa benefícios em serviços para a população”, assinala Marque.

Como exemplo de complexidade dos impostos, ele cita os serviços de energia elétrica. “O cidadão precisa saber que na conta de luz de R$ 100 mais da metade é imposto. Ali estão incluídos os impostos do governo federal, do estadual e o do município. De tudo que o país arrecada 50% vai para pagar juros da dívida pública, menos de 4% vai para a saúde e educação”, relata.

O administrador de empresas aposentado Clorivaldo Gatti comenta que o feirão é ato importante para a conscientização dos consumidores. “Grande parte da população não tem noção dos impostos embutidos. O cidadão tem que cobrar dos governos que na crise só pensam em aumentar os impostos”.

A diarista Iraci Maria de Oliveira Silva não imaginava que a carga tributária brasileira era tão alta. Ela ficou impressionada, principalmente, com os valores dos impostos cobrados sobre uma urna funerária. Sem imposto o preço da urna é de R$ 212 com o imposto o produto sobe para R$ 400. “Até para morrer está caro”, destaca Iraci.

Iniciativa surgiu em Santa Catarina

O Feirão do Imposto surgiu em 2003 na cidade catarinense de Joinville e atualmente faz parte de uma mobilização nacional liderada pela Confederação Nacional dos Jovens Empreendedores (Conaje). A Conaje, os movimentos estaduais e os parceiros na realização do Feirão do Imposto já conseguiram alcançar importantes resultados, além de conscientizar, a cada ano, uma grande parcela da população.

Entre os resultados estão a Lei 12.741 (Lei da Transparência), que instituiu a discriminação dos impostos nas notas e cupons fiscais, e a Lei 12.839, que estabeleceu a retirada de impostos federais que incidem em produtos da cesta básica. Também foi sancionada a Lei Complementar 147/1, que universaliza o acesso ao Simples Nacional ou Supersimples.

A lei prevê a unificação do pagamento de oito tributos cobrados pela União, estados e municípios das micro e pequenas empresas. Conhecida também como Lei da Micro e Pequena Empresa.