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Frango de corte substitui o café na força agrícola de Apucarana

Renan Vallim

| Edição de 28 de janeiro de 2016 | Atualizado em 02 de dezembro de 2016

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O frango de corte ocupa hoje o posto que durante muitos anos foi do café em Apucarana. É o segmento agrícola que mais movimenta dinheiro no município. A importância da criação avícola se reflete nos números: 37% do Valor Bruto de Produção Agrícola (VBP) do município vem da criação de aves, gerando em 2014 mais de R$ 86 milhões. Vários produtores têm investido cada vez mais no setor, que encontra terreno fértil para se fortalecer ainda mais na cidade.

O produtor Everton Ciroque é um dos apucaranenses que largaram o plantio de café - que é mais difícil, com ciclo maior e mais vulnerável ao clima - e partiu para a avicultura. “Não me arrependo. Comecei a produzir café em 2007. Cheguei a ter 30 mil pés plantados. Mas é muito difícil conseguir mão-de-obra hoje em dia. Nos três anos que plantei café, o lucro não chegou a um ano da granja”, afirma.

Atualmente, ele possui três aviários, com um total de 100 mil frangos. “Os barracões ocupam pouco espaço. No restante da propriedade, plantei eucaliptos para utilizar no aquecimento dos frangos e, com isso, diminuo ainda mais os meus gastos. Os lucros ficam perto de R$ 20 mil por barracão a cada dois meses”, conta.

O ciclo do frango é bem menor do que de outras culturas, ficando entre 45 e 60 dias. Os criadores funcionam como subsidiários de grandes empresas e frigoríficos, que fornecem toda a base técnica, além de pintinhos, ração, entre outras coisas. Caminhões dessas empresas deixam os pintinhos nas propriedades, com ração suficiente para que eles cresçam, e depois de um mês e meio, retornam para levar os frangos prontos para o abate. Diversas empresas do ramo estão instaladas em Apucarana e região.

O trabalho do avicultor é realizar os investimentos necessários para a construção e manutenção do aviário, além de cuidar dos animais. “Os aviários são todos fechados, climatizados, com sistema de refrigeração e aquecimento; tudo automatizado, monitorado por computador. Apenas dois funcionários são necessários. Não dependemos das condições do tempo para trabalhar. Enfim, são diversas vantagens”, explica Fábio Christófoli, agricultor no município.

Uma das maiores granjas da região fica na propriedade em que ele é sócio. Construída há cerca de três meses, a granja abrange quase 60 mil cabeças, o dobro do tamanho mais comum nas propriedades da região. Feita em alvenaria ao invés das lonas normalmente utilizadas nas paredes, a construção foi feita custando mais de R$ 600 mil.

Imagem ilustrativa da imagem Frango de corte substitui o café na força agrícola de Apucarana

“Essa é uma das principais dificuldades para os produtores. O custo do investimento inicial é bem grande. Mas, na cidade, há o apoio da prefeitura e do Banco do Brasil, que possui linha de crédito específica para o avicultor. Outra dificuldade é a energia elétrica. As granjas demandam muita eletricidade, que anda cara. E se a rede de energia cair, o prejuízo pode ser grande”, afirma.

Número de aviários dobrou em dois anos no município
De acordo com a Secretaria Municipal de Agricultura e Abastecimento, hoje são 140 aviários, o dobro do número encontrado em 2013. O número de cabeças de frango naquele ano era de aproximadamente 2,3 milhões, segundo o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). Hoje, o número chega a quase 5 milhões.
O secretário municipal de Agricultura, João Carmo da Fonseca, explica que a avicultura gera emprego e qualidade de vida para o apucaranense. “Com o ciclo de até 60 dias, o produtor acaba tendo a cada dois meses um fluxo de caixa que gera oportunidades. Além disso, a avicultura tem atraído e mantido os jovens no campo. O panorama para os próximos anos é ótimo. Em 2016, temos garantido pelo menos mais 28 aviários. O frango é um alimento com grande aceitação no mercado consumidor, em franco crescimento, e muitos estão se aproveitando disso”, conta.

Setor deve crescer ainda mais nos próximos 10 anos
Supervisora regional da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) em Apucarana, Alessandra Trevisan ressalta que a avicultura é especialmente vantajosa em pequenas propriedades. “Espaços restritos, onde culturas como a soja não são vantajosas, tornam-se propícias para a criação de aves de corte. O alto custo de construção é o que restringe um pouco. Mas existem linhas de crédito específicas, o que ajuda o agricultor”, diz.
Segundo ela, o setor avícola é uma boa aposta, tendo ainda muito fôlego para expandir. “Estamos em uma região propícia. Os aviários precisam, por questões sanitárias, ficarem a pelo menos três quilômetros de centros de reprodução. Em Apucarana, não temos esse problema”.
Esse potencial deve encontrar uma conjuntura favorável nos próximos anos. De acordo com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), o consumo de frango deve crescer 2,8% ao ano até 2025, ficando acima das carnes bovina (1,5%) e suína (2,6%).
Hoje, a carne de frango já é a mais consumida no país (9 milhões de toneladas por ano contra 7,2 milhões da bovina) e daqui a 10 anos a diferença deve aumentar ainda mais. As estimativas do MAPA dão conta que pelo menos 12 milhões de t de frango deverão ser consumidas em 2025 no Brasil, contra 8,5 milhões de t da carne bovina.

Imagem ilustrativa da imagem Frango de corte substitui o café na força agrícola de Apucarana