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Lava Jato, caixa dois e a reforma política

Redação

| Edição de 26 de julho de 2016 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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As eleições de outubro serão as primeiras em que estarão em vigor as novas regras que proíbem o financiamento privado de campanha, ou seja, deixam as empresas fora da disputa, e estipulam um teto de gastos para os candidatos.
A aplicação da medida, que integra um primeiro passo das mudanças no sistema eleitoral, a tão sonhada reforma política, vai mostrar seus efeitos antes mesmo de outubro, uma vez que as novas regras determinam também uma fiscalização mais passo a passo das campanhas pela Justiça Eleitoral.
O sistema de determinação dos gastos, entretanto, já mostra sinais de desconfiança. Na região, por exemplo, já foi tema de análise na Tribuna a enorme diferença entre o teto de duas cidades com número aproximado de eleitores, caso de Apucarana e Arapongas, no próximo pleito.
Na última sexta-feira, durante o lançamento, em Curitiba, do movimento Vote Bem, promovido pela Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) e mais de cem instituições parceiras, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o ministro Gilmar Mendes, verbalizou.
“Como presidente do Tribunal Eleitoral, estou um pouco preocupado que tenhamos problemas de Caixa Dois ou que o teto fixado de gastos não corresponda à realidade”, ressalvou o ministro.
O famigerado caixa dois está sempre presente nos escândalos de corrupção. O mais recente, envolvendo o depoimento do ex-marqueteiro do Partido dos Trabalhadores (PT) João Santana e a mulher Mônica Moura. Ambos disseram ao juiz federal Sérgio Moro que o pagamento de US$ 4,5 milhões feito pelo engenheiro Zwi Skornick foi de caixa dois da campanha presidencial de Dilma Rousseff, em 2010.
Nesse sentido, é preciso ressaltar o caráter ‘pedagógico’ advindo da Lava Jato. Em pronunciamento ontem para divulgação das estatísticas do eleitorado, o mesmo Gilmar Mendes ressaltou o efeito moral que a prisão de tantos empresários pode ter sobre as eleições municipais e os financiamentos de campanhas.
Do caixa dois das campanhas, passando pelo excesso de partidos - hoje são 38 - e das legendas de aluguel até a questão da reeleição, todas questões cuja discussão se arrastava há décadas, tudo se volatizou após os efeitos da investigação contra esquemas endêmicos de corrupção.
A Lava Jato foi o catalisador que faltava para parar de se discutir o processo eleitoral e realmente começar a trabalhar para sanar seus defeitos. A reforma política brasileira começou agora, resta saber se ela vai realmente caminhar e promover as mudanças necessárias.