De acordo com o Governo do Estado, o número de colégios estaduais ocupados caiu de 830 para 792 ontem. Na região, oito unidades voltaram à rotina normal. Ainda há 49 colégios tomados pelos alunos em protesto. Em Apucarana, uma das instituições se transformou em palco de embate entre estudantes e pais, que exigiam a retomada das aulas.
Até ontem, cinco colégios da região do Núcleo Regional de Educação (NRE) de Apucarana haviam sido desocupados. São eles o Vale do Saber (Apucarana), Professor César Lattes (Cambira), Carlos de Campos (Jandaia do Sul), Doutor Rebouças (Rio Bom) e Tancredo Neves (Marilândia do Sul). Outras 25 instituições continuam ocupadas.
De acordo com Bruno Gurgel, um dos alunos coordenadores do movimento em Apucarana, o colégio Vale do Saber foi desocupado pelos alunos de maneira voluntária. “Os estudantes foram pressionados pela comunidade e houve ameaça de invasão à escola, por isso eles optaram pela desocupação. No entanto, o movimento continua firme no restante dos colégios”, afirma.
Já na área do NRE de Ivaiporã, três colégios foram desocupados até ontem. São eles o Madre Cândida (Arapuã), Jamil Aparecido Bonacin (São João do Ivaí) e D. Pedro I (Lidianópolis). Ainda há 24 escolas com ocupações.
O movimento deve decidir amanhã, em assembleia a ser realizada em Curitiba, se deve continuar com as ocupações. Na semana passada, uma decisão da 1ª Vara da Fazenda Pública de Apucarana negou pedido de reintegração de posse, solicitada pela Procuradoria Estadual do Paraná.
As ocupações acontecem porque a Medida Provisória 746/2016, criticada pelos alunos, promove alterações na estrutura do ensino médio através da ampliação da carga horária mínima para 1,4 mil horas anuais e torna facultativas as disciplinas de Artes e Educação Física. Os sistemas de ensino também poderão escolher áreas de conhecimento que serão enfatizadas, com formação técnica e profissional. Eles também são contra a PEC 241, que propõe o ‘congelamento’ de gastos do Governo Federal.
A chefe do NRE de Apucarana, Maria Onide Balan Sardinha, afirma que o núcleo está acompanhando de perto os colégios tomados pelas alunos na região e a expectativa é que os estudantes optem pela desocupação na assembleia de amanhã.
Ontem, um estudante foi assassinado dentre de uma escola ocupada no Bairro de Santa Felicidade, em Curitiba (ver box).
Colégio tem confronto entre pais e estudantes
Professores do Colégio Osmar Guaracy Freire, em Apucarana, tentaram retomar suas atividades na escola na manhã e ontem, mas foram impedidos por conta da ocupação. Pais de alunos contrários à manifestação estiveram no local. Houve embate entre estudantes e pais. A Polícia Militar (PM) entrou no local e apreendeu um adolescente com uma porção de maconha.
Motivados pelo comunicado de que o Governo puniria professores que apoiam as ocupações, professores se dirigiram à escola, mas não puderam retomar as atividades. Pais de alunos acompanharam a situação e tentaram entrar no colégio. Houve troca de empurrões e bate-boca.
A PM foi acionada e, após dialogar com os estudantes, entrou no colégio e revistou os alunos. Foi encontrada uma porção de maconha com um jovem de 16 anos. O Conselho Tutelar foi chamado e o jovem foi encaminhado à delegacia.
“Respeitamos a liberdade dos pais de não concordarem com a ocupação, de protestarem. Mas a invasão à ocupação é desrespeitar o nosso momento, o nosso movimento. Lamentamos a ação desses pais. Quanto ao jovem encontrado com maconha, não podemos deslegitimar a ocupação apenas por conta de um indivíduo”, explica Bruno Gurgel, um dos coordenadores das ocupações em Apucarana.
A chefe do NRE, Maria Onide Balan Sardinha, lembra que esses confrontos estão acontecendo em várias cidades. “A comunidade está muito ansiosa para um desfecho dessa situação. Muitas pessoas, sobretudo pais, não se conformam com as ocupações, o que gera embates como esse que foi registrado aqui”.
Aluno é encontrado morto
Um adolescente de 16 anos foi encontrado morto na tarde de ontem dentro de uma escola ocupada, em Curitiba. O corpo de Lucas Eduardo Araújo Lopes estava no banheiro do Colégio Estadual Santa Felicidade. O governador Beto Richa divulgou uma nota de pesar.
De acordo com o Corpo de Bombeiros, a vítima foi encontrada com perfurações causadas possivelmente por uma faca. O jovem era aluno do colégio, mas não estaria participando da ocupação. Ele teria ido até o local para participar de uma atividade.
Em nota, Richa afirmou que se trata de uma “tragédia chocante, que merece uma profunda reflexão de toda a sociedade”. O governador fez críticas às ocupações. “É ainda mais gravíssimo e lamentável, porque aconteceu no interior de uma escola ocupada (...) Peço ainda, mais uma vez, que os estudantes encerrem esse movimento”.
A Polícia Civil investiga o caso. Ontem, a Sesp afirmou que o jovem foi morto por outro adolescente, de 17 anos, que foi apreendido ainda na tarde de ontem.