A safra paranaense 2014/15 deverá chegar a 38,24 milhões de toneladas, o maior volume da história, segundo estimativa do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria Estadual da Agricultura e do Abastecimento, divulgada ontem. Conforme o relatório, o volume poderia ser maior, não fosse o efeito das chuvas sobre as lavouras de trigo, que está em fase final de colheita e apresenta quebra de produção e problemas de qualidade dos grãos.
Para o secretário da Agricultura e do Abastecimento, Norberto Ortigara, apesar do clima mais chuvoso, os produtores paranaenses colheram uma excelente produção na safra 2014/2015, com destaque para a boa qualidade, que é uma das características da produção paranaense de grãos.
“Esse desempenho se repetiu com a produção de cereais de inverno, quando o trigo é o nosso principal produto”, destacou Ortigara. “Observamos, ainda, que o plantio da nova safra 2015/2016, ocorre dentro da normalidade. Se as chuvas prejudicaram o trigo, estão contribuindo com o desenvolvimento vegetativo dos grãos de verão”, afirmou.
A safra apresenta resultado positivo também no que se refere à comercialização. “Ocorreu redução nos preços das principais commodities, mas o quadro foi compensado com a desvalorização do Real frente ao dólar, favorecendo as exportações”, afirma o diretor do Deral, Francisco Carlos Simioni. “Aproveitando essa oportunidade, os produtores venderam o restante da safra 14/15 e anteciparam as vendas da safra que está sendo plantada”, explica.
Segundo Simioni, no decorrer deste novo ano safra, que encerra em junho de 2016, os produtores rurais devem ficar muito atentos ao mercado devido às variações constantes do câmbio. Para ele, não é possível afirmar com segurança o que vai acontecer até o final do ano ou início de 2016.
“Pode ser que a desvalorização do Real se acentue ou, ao contrário, reduza. Assim, recomendamos aos produtores aproveitarem as oscilações de alta do dólar e realizarem suas vendas”, disse. Ele alerta, ainda, que não é momento de correr riscos e apostar em grandes elevações de preços para as commodities, considerando a volatilidade do câmbio.
QUEBRA
O Deral já está prevendo uma quebra de produção de 12% na produção de trigo de 2015, em decorrência das chuvas recentes que prejudicam a qualidade do grão na colheita, e das chuvas de de julho, que afetaram o florescimento, estágio mais crítico da cultura.
A previsão inicial era colher 4 milhões de toneladas no Paraná. Com a quebra, a safra foi reavaliada para 3,5 milhões de toneladas, ainda uma boa safra, disse o técnico Carlos Hugo Godinho.