A Polícia federal prendeu ontem um grupo suspeito de planejar um ataque terrorista durante a Olimpíada do Rio de Janeiro, que começa no próximo dia 5. Dez pessoas, entre 20 e 40 anos, foram presas. O serviço de Inteligência do governo brasileiro identificou um grupo que planejava atos de terrorismo no evento. Eles foram cooptados por facções extremistas por meio da internet. Uma prisão foi feita em Curitiba, envolvendo um morador de Colombo de 21 anos, que, segundo o Ministério da Justiça era líder do grupo.
Os 12 mandados de prisão da operação batizada Hashtag foram expedidos pela Justiça Federal paranaense. Além do Paraná, a operação, que envolveu 130 policiais, cumpre e 19 mandados de busca e apreensão nos estados do Amazonas, Ceará, Paraíba, Goiás, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo e Rio Grande do Sul. Alegando questões de segurança não foram divulgados nomes dos envolvidos nem para onde os presos foram encaminhados.
O suspeitos fazem parte de um grupo que estava sob monitoramento pelo governo interino por fazer elogios compartilhar conteúdo favorável a grupos extremistas e atentados terroristas. O ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, afirmou ontem que a probabilidade de um ataque terrorista durantes os Jogos do Rio-2016 é “mínima”.
Na avaliação do governo, era uma “célula amadora, sem nenhum preparo”, contudo o planejamento foi progredindo. “A ação do grupo foi progredindo. Era uma célula amadora, sem nenhum preparo. Nós rastreamos que eles iriam comprar armas clandestinas no Paraguai, uma AK-47”, afirmou o ministro em entrevista coletiva. “Tudo isso mostra um ato preparatório, não há informação de que tenham conseguido algo. É uma célula desorganizada. A informação estava circulando entre eles.”
“Várias mensagens mostram essas pessoas comemorando atentados em Orlando (EUA), em Nice (França), comemorando e comentando atentado que ocorreu na França. Eles também postavam as execuções que foram feitas pelo Estado Islâmico”, explicou Alexandre de Moraes.
O ministro afirmou que o grupo preso nesta quinta não mantinha contato interpessoal e que a proximidade com o Estado Islâmico se deu por meio de juramento. Os investigadores encontraram trocas de mensagens dos suspeitos via internet e redes sociais.
“Fora o juramento de internet, não houve nenhum contato posterior. O máximo que houve uma comunicação entre os próprios membros de que um deles estava querendo ir ao exterior procurar os locais onde o ei se faz presente para conseguir um contato”, afirmou Moraes.
Esse é o primeiro inquérito no Brasil com base na nova lei antiterrorismo (Lei 13.260/2016), sancionada há pouco mais de três meses.
PARANÁ
Em entrevista coletiva na tarde de ontem, o 14ª Vara Federal de Curitiba, Marcos Josegrei da Silva, afirmou que o suspeito de terrorismo preso no Paraná tem 21 anos, é morador de Colombo, na região metropolitana de Curitiba e trabalhava em uma rede de supermercados. Ele é natural de Guarulhos e não tinha passagem alguma pela polícia até agora.
O juiz não deu muitos detalhes dos suspeitos, mas afirmou que eles não possuem ascendência árabe. Todos são brasileiros, mas todos usavam nomes ou apelidos árabes na internet.
O juiz ainda discordou sobre a posição do jovem detido na RMC. Na avaliação do juiz, ele não pode ser considerado um dos líderes da suposta organização.
Para Planalto, operação foi bem sucedida
O governo interino de Michel Temer considerou que a prisão de dez suspeitos de terrorismo serviu para refutar críticas de que o país não está preparado para enfrentar ameaças de grupos extremistas na Rio-2016.
Nas últimas semanas, assessores e auxiliares do peemedebista vinham demonstrando insatisfação com a cobertura da imprensa nacional e internacional sobre a possibilidade de um atentado terrorista no país. A avaliação era de que havia um exagero que poderia afetar a imagem do evento mundial.
Desde que assumiu o Palácio do Planalto, em maio, o peemedebista vinha recebendo informações atualizadas dos órgãos de inteligência sobre movimentações suspeitas nas redes sociais e em aplicativos de conversas.
Em julho, o GSI (Gabinete de Segurança Institucional) vinha atualizando semanalmente o presidente interino sobre o monitoramento de cem pessoas suspeitas.
Na noite da quarta-feira (20), com a constatação de que o grupo de suspeitos começou a planejar atentados no Rio de Janeiro, Temer foi avisado que a Polícia Federal desencadearia uma operação para prender os envolvidos.
A prisão dos suspeitos ganhou repercussão em todo mundo.