Nesta semana pescadores profissionais da Colônia Z 17, que abriga pouco mais de 40 profissionais, comemoraram a publicação das portarias nº 092/2016 e nº 097/2016 que regulamentou as normas e procedimentos para a pesca profissional e amadora, em um trecho de aproximadamente 110 quilômetros no Rio Ivaí. A pesca foi proibida em 2004, e desde então, os pescadores que não tinham outra profissão tiveram muitas dificuldades para a subsistência da família. O trecho liberado para a pesca abrange a localidade do Porto de Areia, em Ivaiporã até a Prainha, em São João do Ivaí.
Marildo de Oliveira, coordenador da Colônia Z 17 e da Patrulha Ambiental do Rio do Ivaí, destaca que os pescadores tentaram adotar diversas alternativas de renda para minimizar os efeitos da proibição da pesca, sem muito efeito. Uma dessas medidas foi à construção de três tanques de piscicultura.
“O governo comprava os alevinos e eles até tinham uma renda razoável, mas em pouco tempo, o projeto acabou porque o Estado parou de comprar os alevinos”. Nos últimos anos, até mesmo uma lanchonete foi montada pelos pescadores. “Também não deu certo, porque eram muitas famílias e não tinha como dar um resultado positivo para os pescadores”, relata Oliveira.
Apesar de todas as dificuldades, o presidente da Colônia Z17, Valdir Batista, diz que em momento algum, os pescadores desanimaram, por outro lado permaneceram unidos e persistindo no objetivo de mostrar as autoridades o respeito que eles tinham pelo Rio Ivaí. “Deixamos de pescar, mas jamais deixamos de fazer os arrastões ecológicos, foram 12 nesses últimos anos. Também criamos a Patrulha Ambiental e ajudamos a Policia Florestal na fiscalização do rio. Além disso, promovemos cursos de conscientização ambiental nas escolas e quando há necessidade auxiliamos o Corpo de Bombeiros no resgate de pessoas ilhadas em épocas de enchentes”, comenta Batista. O trabalho voluntário dos pescadores foi determinantes nos estudos realizados por pesquisadores das universidades estaduais de Londrina e Maringá que permitiram a liberação da pesca.
DIGNIDADE
O prefeito de Lidianópolis, Celso Antônio Barboza, o Magrelo diz que a regulamentação da portaria traz mais dignidade para o pescador da colônia Z 17 e repara uma injustiça de mais de 12 anos. Ele também agradece a articulação do Movimento Pró Ivaí/Piquiri, universidades, das prefeituras e o Ministério Público do Meio Ambiente do Paraná, que contribuíram na luta dos pescadores.
“Temos agora uma portaria com regras claras, que deixa os pescadores trabalhar e ganhar o sustento de seus familiares. Estão todos de parabéns pela luta e união que tiveram neste tempo todo”.
Restrição na piracema e em áreas de quedas
O diretor do escritório regional de Ivaiporã do IAP, Maurilio Vila explica que tanto pescadores profissionais como amadores poderão pescar, desde que não seja no período de piracema (normalmente entre novembro a fevereiro) e terão que seguir algumas normas, dentre elas, ele destaca as regras para os apetrechos.
“O profissionais devidamente cadastrados pela colônia Z17 de Porto Ubá podem usar redes simples com malha igual ou superior a 140 mm, com no máximo 30 metros de comprimento, num total máximo de 10 redes por pescador”, comenta.
Para a pescaria do cascudo estão liberadas cinco redes malha igual ou superior 90 mm também do mesmo tamanho e duas redes malhas 30 mm e 50 mm para isca. Para o amador só é permitida a pesca com linha de mão, caniço simples (vara de bambu, telescópica ou similares) e vara com molinete ou carretilha, no limite de três equipamentos por pescador e cota máxima de 10 quilos.
Existe ainda a restrição de pescaria em quedas súbitas (onde há impedimento do fluxo do peixe), sendo 400 metros acima e abaixo dessas áreas. Os locais são Prainha (São João do Ivaí), Salto Fogueira (Borrazópolis), Fervedor (Lidianópolis), Bananeira (Lunardelli), Rolete e Jararaca (Jardim Alegre) e Prainha do Marolo (Grandes Rios).
Aposentado das tarrafas
Mauricio de Oliveira que é pescador há 60 anos e atualmente está aposentado, se mostra muito feliz com a conquista dos colegas. “A partir de agora os pescadores aqui da colônia poderão voltar a trabalhar naquilo que nasceram para fazer. Eu estou com 73 anos e consegui sobreviver porque já estava aposentado na época da proibição, mais foram 12 anos de muitas dificuldades para os companheiros”.
Hoje, Mauricio só pesca de anzol e, quando pode ajuda, os companheiros mais novos. “Não pesco mais de rede ou tarrafa, nem fico mais duas semanas na beira do rio, como deve ser a vida de um pescador. Mas sempre que posso estou junto com eles, tanto na patrulha e nos mutirões de limpeza”, assinala Mauricio.