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VAL estuda implantar reconhecimento facial para idosos no transporte coletivo

Claudemir hauptmann

| Edição de 15 de julho de 2022 | Atualizado em 15 de julho de 2022
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A Viação Apucarana Ltda (VAL) pode adotar, ainda neste ano, um sistema de reconhecimento facial para poder contabilizar os idosos transportados gratuitamente todos os dias nos ônibus urbanos, em Apucarana. O reconhecimento seria feito por câmeras instaladas nos validadores, que são aqueles aparelhos fixados próximos às catracas dos ônibus. Uma das urgências dos gestores do transporte público é saber quantos idosos usam o serviço para encontrar formas de reequilibrar o sistema tarifário, que está em crise por causa da diminuição da quantidade de passageiros pagantes e do constante aumento do número de gratuidades.

Quantificar a gratuidade de idosos no sistema ganhou importância após a aprovação da PEC 15/2021, que garantiu repasses de recursos federais ao transporte coletivo. 

A quantidade de idosos no transporte público urbano, em Apucarana, é uma incógnita. Nem a prefeitura, que é o poder concedente, nem a empresa concessionária que explora os serviços, sabem exatamente qual o percentual deste público no número total de passageiros uma vez que os idosos entram pelas portas dos fundos dos ônibus. 

O diretor da VAL, Roberto Jacomeli, informou que ainda em julho uma empresa especializada vai apresentar a tecnologia de reconhecimento facial nos validadores dos ônibus. “É um sistema inteligente de bilhetagem, que faria o reconhecimento facial do usuário. Mas ainda estamos em processo de finalização dos estudos para esse investimento. Vamos conhecer a tecnologia e a proposta da empresa nessa reunião, que teremos em Apucarana. Então vamos saber se será possível implantar o modelo, considerando a tecnologia e a demanda de investimentos”, afirma o executivo da empresa. “O que sabemos é que é um sistema dos mais modernos e mais seguros, usados no mundo atualmente”.

Jacomeli explica que há duas possibilidades em estudo para resolver a necessidade de contabilizar o impacto da gratuidade dos idosos, adotar um cartão eletrônico ou partir para o reconhecimento facial. “É isso que temos. E se adotarmos o cartão agora, mais tarde, fatalmente precisaremos partir para o reconhecimento facial. Então nossa tendência é de já tentar ir direto para o sistema de reconhecimento”, explica.


Em outros municípios, gratuidade atinge 30% dos usuários

O executivo da VAL, Roberto Jacomeli, explica que contabilizar o número de idosos é um problema em todas as cidades com transporte público. As que contabilizam os idosos, hoje, são a exceção. Mas todas precisam resolver isso. 

“Atualmente, trabalhamos com estimativas, a partir da experiência em outras cidades que contabilizam, como Maringá. A quantidade de idosos chega aos 30% do total de passageiros transportados”, comenta. Em Apucarana, calcula, os idosos representam uma média de 15 mil viagens gratuitas mês. 

“Precisamos encontrar formas de remunerar o sistema para essas gratuidades, principalmente os idosos, compreendendo que, como o sistema tarifário é por rateio, todas as gratuidades pressionam o valor da tarifa cobrada de quem não tem a gratuidade. No caso dos estudantes, por exemplo. Todos tem direito a meio passe. Cinquenta por cento da passagem deles é paga pelo poder público. Os outros 50% dessa gratuidade é diluída no sistema e quem paga por isso é o usuário do transporte. Por enquanto, quem está pagando por isso é o usuário. Por isso lembramos que é preciso dinheiro público para remunerar o sistema pelas gratuidades que são concedidas”, raciocina.