Trezentas pessoas em silêncio absoluto. Dava para ouvir uma borboleta batendo as asas.
Eu estava em Cambé, na inauguração de uma unidade da Coamo, a cooperativa que assumiu uma operação de grãos e insumos de uma antiga distribuidora. Ali, diante de 300 produtores rurais, o presidente José Aroldo Galassini falou sobre cooperativismo.
Dr. Galassini está há 51 anos dirigindo uma das cooperativas mais sólidas do mundo. Cinquenta e um anos não é mandato. É vocação provada pelo tempo. E o que ele disse naquela noite não é teoria. É resultado. É história escrita em números, em safras, em comunidades inteiras que prosperaram porque alguém entendeu que sozinho se vai rápido, mas junto se vai longe.
Cooperativismo funciona. Mas aqui está o ponto que quase ninguém quer ouvir: funciona para quem tem espírito de coletividade. Não para quem entra querendo apenas extrair.
E esse é o filtro de toda cooperativa, de toda sociedade, de toda equipe: o individualismo destrói por dentro o que o coletivo constrói por fora. Você pode ter a melhor estrutura, o melhor modelo, o melhor contrato. Se as pessoas só pensam em si mesmas, o modelo é casca vazia.
Então a pergunta que fica não é sobre cooperativas. É sobre você. Nas suas parcerias, nos seus times, nas suas relações: você entra para somar ou para sacar?
Quem somente saca, um dia encontra o saldo zerado. Bem ao contrário dos cooperados da Coamo, que há mais de meio século provam o oposto.