O tempo nos foi dado como um sopro,
e logo se recolhe nas mãos do Eterno.
Caminhamos por dias que parecem largos,
mas quando voltamos o olhar
descobrimos que foram breves como o orvalho da manhã.
A vida não vem vazia:
traz consigo suas próprias dores,
as perdas silenciosas,
os desencontros,
as tardes em que o coração pesa sem explicação.
Assim, não convém adiar o que é bom.
Que não sejamos lentos
para sentar à mesa com quem amamos,
para marcar um encontro simples,
para dividir o pão, o riso,
ou apenas o silêncio que conforta.
Há doçuras pequenas
que salvam dias inteiros:
uma conversa demorada,
um abraço sem pressa,
um olhar que diz “ainda estamos aqui”.
Porque o tempo passa...
sempre passa.
E quando a noite da vida se aproxima,
não são os grandes feitos que aquecem a memória,
mas os momentos quietos e luminosos
em que dois ou três corações
se encontraram em paz.
Assim, enquanto nos é concedido caminhar juntos,
apressemos o bem,
apressemos a ternura,
apressemos os encontros simples.
Pois um dia,
sem qualquer aviso ou sinal,
a porta do tempo se fecha
e resta apenas aquilo
que tivemos a sabedoria de viver.