ABRAHAM SHAPIRO

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O manual da picaretagem

Da Redação

| Edição de 18 de maio de 2026 | Atualizado em 18 de maio de 2026

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Seja no digital ou no presencial, a picaretagem é como um vírus: sempre encontra um novo jeito de infectar. O método? O mesmo de sempre. Identifique vítimas vulneráveis, espalhe pânico, desacredite qualquer voz contrária e, no final, venda a solução milagrosa. E o pior? Funciona. Até que a farsa desmorone – porque ela sempre desmorona.

Primeiro, escolha bem o alvo. Idosos, doentes, endividados, gente frustrada com a balança ou desesperada por um atalho – quanto maior o desespero, menor o senso crítico. Agora, invente um vilão. Pode ser o glúten, o açúcar, os remédios, o governo ou uma indústria misteriosa. O importante não é a verdade, mas a narrativa. Um vilão simples faz qualquer golpe parecer lógico.

O próximo passo? Crie pânico. Frases como “Isso causa câncer!” ou “A indústria não quer que você saiba a verdade!” são perfeitas para desligar o pensamento crítico. Se o medo não bastar, traga Deus para a conversa. Dizer que algo veio da natureza “como Ele criou” torna qualquer contestação um ato de heresia.

Agora, destrua a ciência. Médicos? Vendidos. Pesquisadores? Manipulados. A mídia? Parte da conspiração. O público precisa acreditar que só o picareta detém a verdade.

Com tudo pronto, é hora de vender a salvação. Um suplemento revolucionário, um curso exclusivo ou um método secreto para trazer o sucesso nunca alcançado à sua carreira ou empresa. Se alguém hesitar, pressione: “Vagas limitadas! É agora ou nunca!” Nada faz alguém comprar mais rápido do que o medo de perder a cura dos seus problemas.

E assim, o picareta enriquece. As vítimas? Perdem dinheiro, saúde e tempo. Mas não se preocupe; quando a farsa for descoberta, ele reaparecerá… com uma nova embalagem, um novo vilão e o mesmo golpe.

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