Um homem diz ao diretor de um circo: “Quero trabalhar no seu circo”.
O diretor diz: “O que você sabe fazer?” O homem responde: “Eu sei imitar pássaros. Eu posso imitar um agora mesmo.” O diretor, nada impressionado, diz que não tem interesse, já que muita gente faz isso. O homem, chateado, abre a janela e sai voando afora.
A graça da anedota nasce do absurdo, mas sua lição é rigorosamente real. O diretor não apenas rejeitou um candidato. Rejeitou algo extraordinário porque acreditou já saber o que estava diante dele. Em vez de investigar, classificou. Em vez de observar, comparou. Em vez de permitir uma demonstração, confiou na própria suposição.
Esse é um erro comum e caro. Supomos conhecer pessoas, problemas, mercados, intenções e consequências. Criamos uma explicação rápida, tratamos essa explicação como fato e passamos a decidir sobre uma realidade que talvez nem exista. Assim se perdem talentos, clientes, negócios, amizades, casamentos, investimentos e oportunidades que jamais retornam.
A suposição oferece conforto porque elimina o esforço de perguntar. Também protege o ego, pois nos dá a sensação de domínio. Mas certeza sem verificação não é inteligência. É imprudência bem vestida.
Antes de concluir que alguém não serve, investigue. Antes de declarar que uma ideia não funciona, teste. Antes de interpretar um silêncio, pergunte. Antes de rejeitar uma possibilidade, examine os fatos.
A realidade costuma ser mais complexa do que nossos julgamentos apressados. Muitas perdas não acontecem porque faltou capacidade, mas porque sobrou certeza. Quem supõe demais enxerga menos, pergunta menos e perde mais. Por isso, a disciplina de suspender o julgamento não é indecisão. É prudência: o intervalo necessário entre aquilo que parece ser e aquilo que é.