BISPO DOM CARLOS JOSÉ

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Chamados em diferentes horas

Da Redação

| Edição de 16 de setembro de 2026 | Atualizado em 16 de setembro de 2026

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No Evangelho deste final de semana (Mt 20,1-16a), Jesus compara o Reino dos Céus a um proprietário que sai em diferentes horas do dia para contratar trabalhadores para sua vinha. Alguns começam logo pela manhã; outros são chamados mais tarde; e há ainda aqueles que chegam quando resta apenas uma hora de trabalho. Ao final do dia, porém, todos recebem o mesmo pagamento. A parábola pode causar certo desconforto, mas é justamente por meio dele que Jesus nos convida a compreender uma verdade essencial: a lógica de Deus é a lógica da graça e da generosidade.

Os primeiros trabalhadores não foram injustiçados. Receberam exatamente aquilo que havia sido combinado. O problema começa quando olham para o que os outros receberam e passam a comparar. Também nós podemos cair nessa tentação.

Comparamos nossa caminhada, nossos esforços e até mesmo nossa vida de fé com a dos outros. Esquecemos que o amor de Deus não é uma recompensa distribuída segundo nossos cálculos humanos. Ele é Pai e sua bondade ultrapassa aquilo que julgamos que cada pessoa merece. A parábola traz também uma mensagem profundamente consoladora: Deus continua saindo à procura de trabalhadores para sua vinha. Há quem escute seu chamado desde cedo e persevere durante toda a vida; há quem o encontre depois de muitos caminhos; há quem retorne depois de anos afastado. 

Para Deus, nunca é tarde para começar ou recomeçar. Na vinha do Senhor, existe lugar para aquele que chegou primeiro e também para aquele que acaba de descobrir a alegria de caminhar com Cristo. Essa Palavra nos convida ainda a olhar para nossas comunidades. Uma Igreja verdadeiramente evangelizadora não pode ser um espaço de comparação entre quem “chegou primeiro” e quem “chegou depois”. Somos todos trabalhadores chamados pela mesma graça. 

Em vez de perguntar quem merece mais, somos convidados a agradecer porque Deus continua chamando, acolhendo e oferecendo a cada pessoa a possibilidade de participar de sua obra. A alegria cristã também consiste em celebrar o bem que Deus realiza na vida do outro. Peçamos a Nossa Senhora de Lourdes, nossa padroeira, que nos ensine a responder com generosidade ao chamado de Deus e a trabalhar em sua vinha sem comparações ou disputas. Que Maria nos ajude a acolher aqueles que chegam, a encorajar os que desejam recomeçar e a perseverar com alegria na missão que recebemos. Sob seu olhar materno, aprendamos que o mais importante não é a hora em que fomos chamados, mas a disponibilidade com que respondemos ao Senhor.