A Via Sacra constitui uma antiga prática de piedade da tradição cristã que convida os fiéis a meditarem sobre os momentos da Paixão de Jesus Cristo, desde sua condenação até a crucificação, morte e sepultamento. Trata-se de um itinerário espiritual composto por estações que recordam os principais acontecimentos desse caminho de sofrimento e entrega, permitindo que o cristão contemple, de modo orante, o mistério da redenção.
Essa prática nasceu do desejo dos cristãos de percorrer espiritualmente o caminho que Jesus trilhou em Jerusalém até o Calvário. Com o passar do tempo, a devoção foi sendo difundida pelo mundo, sobretudo a partir da Idade Média, tornando-se uma das formas mais significativas de oração popular da Igreja. Ao meditar cada estação, o fiel é convidado não apenas a recordar os acontecimentos da Paixão, mas também a refletir sobre o sentido do amor de Cristo que se entrega pela humanidade.
Durante o tempo da Quaresma, a Via Sacra assume uma importância ainda maior na vida da Igreja. Este período litúrgico é marcado pelo chamado à conversão, à penitência e à renovação da vida cristã, preparando os fiéis para a celebração do mistério pascal. Ao percorrer as estações da Via Sacra, o cristão contempla o sofrimento de Cristo e aprende que a cruz não é sinal de derrota, mas caminho de salvação, esperança e vida nova.
No Parque da Redenção, em Apucarana, essa experiência espiritual ganha uma dimensão ainda mais profunda por meio de um conjunto artístico e religioso de grande expressividade. Ao longo do caminho principal do parque encontram-se 19 estações representadas por 96 personagens esculpidos em esculturas monumentais de aproximadamente dois metros de altura, formando cenários que narram visualmente a história da salvação. Dessas representações, 15 cenas correspondem às estações tradicionais da Via Sacra, retratando os momentos mais marcantes da paixão de Cristo: sua condenação, o peso da cruz, os encontros no caminho do Calvário, a crucificação e o sepultamento. Outras estações ampliam a narrativa, apresentando episódios importantes da vida pública de Jesus, como o Batismo no Jordão, a oração no Monte das Oliveiras e a Santa Ceia, que antecede o sacrifício da cruz, além da cena em que zombam de seu sofrimento.
O percurso permite que o visitante caminhe contemplativamente, unindo oração, silêncio e reflexão. Cada escultura expressa gestos, emoções e movimentos que ajudam a compreender o drama da paixão e o profundo amor de Cristo pela humanidade.
Além da Via Sacra, o parque abriga também uma gruta dedicada a Nossa Senhora de Lourdes, padroeira da Diocese de Apucarana. A presença mariana recorda que Maria esteve unida ao sofrimento do Filho e continua sendo, para os fiéis, sinal de consolo, esperança e intercessão. Assim, especialmente durante a Quaresma, a Via Sacra do Parque da Redenção torna-se um verdadeiro caminho de peregrinação espiritual. Ao percorrê-la, o cristão não apenas recorda os acontecimentos da Paixão de Cristo, mas é convidado a renovar sua fé, contemplando o mistério do amor que, passando pela cruz, conduz à alegria da ressurreição.