BISPO DOM CARLOS JOSÉ

min de leitura

Uma paz desarmada e desarmante: um caminho para o nosso tempo

Da Redação

| Edição de 15 de abril de 2026 | Atualizado em 15 de abril de 2026

Fique por dentro do que acontece em Apucarana, Arapongas e região, assine a Tribuna do Norte.

Vivemos um tempo marcado por profundas tensões, inseguranças e conflitos que atravessam a vida pessoal, social e internacional. Em meio a tantas incertezas, o Papa Leão XIV nos recorda que a verdadeira paz não nasce da imposição da força, mas da transformação do coração humano. 

Na Mensagem para o 59º Dia Mundial da Paz, o Santo Padre propõe o caminho de uma “paz desarmada e desarmante, humilde e perseverante”, capaz de superar a lógica da violência e abrir caminhos de reconciliação. 

A expressão “paz desarmada” indica a renúncia à lógica da força como meio de resolução dos conflitos. Em um mundo onde frequentemente se busca segurança por meio do poder, da imposição ou do medo, o Papa recorda que a verdadeira paz nasce da confiança, do diálogo e do reconhecimento da dignidade de cada pessoa humana. 

A história recente demonstra que o aumento das tensões e a corrida por armamentos não produzem estabilidade duradoura, mas alimentam o medo e aprofundam as divisões entre os povos. Ao mesmo tempo, o Papa fala de uma paz “desarmante”, isto é, uma paz que transforma os corações e rompe o ciclo da violência. Trata-se de uma paz que não humilha nem derrota o outro, mas o reconhece como irmão. É a paz que nasce da escuta, da empatia e da disposição sincera de construir caminhos comuns. O Ressuscitado, ao saudar os discípulos com as palavras “A paz esteja convosco” (Jo 20,19), inaugura uma nova forma de viver as relações humanas, baseada no perdão e na reconciliação. 

A realidade atual mostra o quanto este apelo é urgente. Em diferentes partes do mundo, persistem conflitos armados, divisões ideológicas e formas de violência que atingem especialmente os mais vulneráveis. 

Também no cotidiano, muitas vezes experimentamos tensões nas famílias, nas comunidades e nos ambientes de trabalho. Papa nos convida a recuperar a convicção de que a paz não é uma utopia distante, mas um caminho possível que começa no interior de cada pessoa. 

A construção da paz exige, antes de tudo, um “desarmamento do coração”. Isso significa renunciar ao orgulho, ao desejo de dominação e à indiferença diante do sofrimento do outro. O Papa recorda que a paz é uma presença que precisa ser acolhida e cultivada, tornando-se princípio orientador das nossas escolhas. Quando a paz é vivida interiormente, ela se irradia nas relações humanas, tornando-se força capaz de transformar a sociedade. 

Neste tempo marcado por desafios complexos, as palavras do Papa Leão XIV nos recordam que a esperança continua sendo possível. A paz não nasce da ausência de dificuldades, mas da confiança de que o bem pode prevalecer sobre o mal. Acolher a paz de Cristo significa permitir que sua luz ilumine nossas decisões e inspire nossas atitudes. Que possamos assumir o compromisso de ser construtores desta paz, começando nas pequenas atitudes do cotidiano. Cada gesto de escuta, cada atitude de perdão e cada esforço de reconciliação tornam visível a força transformadora do amor. Assim, a paz deixa de ser apenas um ideal distante e torna-se realidade concreta, capaz de renovar o mundo e abrir caminhos de esperança para as futuras gerações.