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O Tijolinho

Da Redação

| Edição de 09 de junho de 2022 | Atualizado em 09 de junho de 2022
Imagem descritiva da notícia O Tijolinho

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Se engana aquele que acha que a internet foi a maior das revoluções, ainda que tenho mudado para sempre nossas vidas. Muito antes da Revolução Tecnológica ou da própria industrial, as primeiras civilizações realizaram aquilo que ficou conhecido como Revolução Agrícola ou Neolítica. Foi naquele momento, há aproximadamente 12.000 anos que os humanos deixaram de ser nômades e passaram a plantar e criar animais, constituindo assim as primeiras grandes civilizações. 

Ok, essa parte aprendemos bastante nas aulas de história, mas será sobre um item bem específico que irei aqui comentar: o tijolo. Esse pequeno item feito de barro, inicialmente seco ao sol, depois cozido em fornos, foi essencial para a construção de todos os grandes templos, casas e armazéns em locais que tinham escassez de pedras, tal como os grandes desertos da região da Mesopotâmia e outras partes do Oriente Médio. O tijolo foi a base da construção humana e ainda o é. Apesar de toda tecnologia desenvolvida, de todo o avanço de materiais, continuamos usando objetos de barro para casas e até mesmo arranha-céus. 

Fazendo uma simples analogia, podemos considerar também como cada um de nós, ainda que simples, somos parte dessa grande sociedade. Damos valor ao todo, mas esquecemos de ver as partes. Na ânsia do sucesso e da conquista, deixamos de apreciar o que já somos e o que temos a oferecer. Para que haja um país rico e próspero, devemos lembrar de cada parte que o compõe. Escolhas de profissões são baseadas, quase que exclusivamente, no retorno financeiro, o que não é de fato um problema, mas pode gerar um distanciamento de pessoas brilhantes de locais que deixaram “buracos” na construção. E pasme, caro leitor, paredes com buracos tendem a desmoronar. Mas não é apenas no mundo profissional que somos importantes, afinal, somos antes de trabalhadores, membros de famílias. 

Sempre canto uma música ao meu filho João Vicente, que na voz de Erasmo Carlos diz: “você é o tijolinho que faltava na minha construção”. Mal sabia que minha construção ficaria ainda maior com a chegada de um terceiro tijolo, a pequena Nina. As vezes esquecemos de que somos a peça que faltava na construção de alguém, seja da família ou de amigos. Sempre há um lugar, único para cada um de nós. 

O tijolo é a resposta. Um tijolo como outro qualquer, simples como os demais, pode ser a chave de uma grande construção que se inicia ou que se reergue. Dos maiores tesouros que a antiguidade oriental proporcionou ao ocidente, sem dúvidas o tijolo é o maior e mais simples deles. 

A vida em sociedade, se iniciou ao lado dos grandes rios, afinal, a água é a origem da vida. A usamos para beber, plantar, transportar. Ao lado da principal reserva de água, no portão principal estavam as construções, e tudo começava com um tijolo, uma simples peça de barro, que daria origem a todas as sociedades. 

Entender a importância do tijolo, é compreender que nada é pequeno demais, nem tão simples, e ao mesmo tempo ser a base de tudo que já foi construído. Que possamos enxergar em nós e nos outros a importância que existe. Buscamos a vida toda criar grandes coisas, mas quem sabe entender que juntos podemos ser o que quisermos, ser grandes e vitoriosos, ainda que isso nada tenha haver com dinheiro. Esse é o tesouro, um tijolo.