ECONOMIA

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Ajuda internacional sofre corte de 23,1% em 2025, o maior da história

(via Agência Brasil)

| Edição de 03 de agosto de 2026 | Atualizado em 03 de agosto de 2026

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A ajuda internacional destinada a países menos desenvolvidos e instituições multilaterais sofreu um corte significativo de 23,1% entre 2024 e 2025, representando a maior redução já registrada. No ano anterior, o auxílio dos países ricos alcançou US$ 174,3 bilhões, o que equivale a quase R$ 900 bilhões, mas sofreu uma diminuição de US$ 52,4 bilhões em termos reais, já ajustados pela inflação. Este foi o segundo ano consecutivo de queda na ajuda internacional global.

Os dados são provenientes do estudo "Financiamento para o Desenvolvimento", elaborado pelo Brics Policy Center, um centro de estudos vinculado ao Instituto de Relações Internacionais da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). Os pesquisadores Isabel Rocha de Siqueira, Enzo Cosenza e Luis Ehl utilizaram informações do Comitê de Assistência ao Desenvolvimento (CAD), um grupo de países doadores ligado à Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), conhecida como o "clube dos países ricos". O Brasil não integra essa instituição.

Projeções para o Futuro

Os acadêmicos preveem uma nova redução de 6,9% em 2026, o que configuraria o terceiro ano consecutivo de declínio, levando o nível de ajuda ao mesmo patamar de 2014.

Tipo de Ajuda

Os valores das doações referem-se à Ajuda Oficial ao Desenvolvimento (AOD), que são recursos públicos fornecidos por governos com o objetivo de promover o desenvolvimento econômico e a prosperidade em outros países. A ajuda pode ser bilateral, quando enviada diretamente ao país receptor, ou multilateral, quando os recursos são destinados a instituições como a Organização das Nações Unidas (ONU) ou o Banco Mundial, que possuem seus próprios programas de desenvolvimento.

EUA com Maior Corte

Embora o comitê seja composto por 33 países e a União Europeia (UE), o estudo revela que os cinco maiores doadores (França, Alemanha, Japão, Reino Unido e Estados Unidos) representam 95,7% da redução de 2024 para 2025. Os EUA, em particular, cortaram a ajuda internacional em mais da metade (56,9%), sendo responsáveis por três quartos (75,1%) da diminuição total.

O ano passado também marcou a primeira vez em que todos os grandes doadores reduziram o volume de doação por dois anos consecutivos: Alemanha (-17,4%), França (-10,9%), Reino Unido (-10,8%) e Japão (-5,6%).

Trump, Defesa e Energia

O corte significativo da ajuda americana coincide com o início do novo mandato de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos, que tem mantido uma posição contrária ao multilateralismo. Além disso, houve um redirecionamento de recursos para outras áreas, como segurança energética e defesa. Nos EUA, os gastos com defesa aumentaram de US$ 822,8 bilhões em 2024 para US$ 845,3 bilhões. Na União Europeia, o aumento foi de 11%, alcançando 381 bilhões de euros.

O estudo destaca que o investimento total em energia na UE quase dobrou de US$ 215 bilhões em 2015 para cerca de US$ 420 bilhões em 2025. Esse impulso foi acelerado pelo choque de segurança energética após o início da Guerra da Ucrânia em fevereiro de 2022.

Multilateralismo Seletivo

Os pesquisadores apontam para uma "retração seletiva" da ajuda internacional, caracterizada pela ausência de uma queda uniforme nos canais multilaterais. O financiamento ao sistema ONU caiu 27%, a maior redução já registrada, enquanto o apoio ao Banco Mundial aumentou 6,4% e aos bancos regionais de desenvolvimento, 11,9%.

“Os governos doadores estão redefinindo quais tipos de engajamento multilateral consideram dignos de serem preservados, por motivos estratégicos”, afirma o documento.

Ucrânia

Apesar da queda global na ajuda internacional, a Ucrânia, em seu quinto ano de guerra com a Rússia, se destaca como uma prioridade estratégica para os países europeus. Mesmo com uma redução de 91% na ajuda dos EUA ao país, a Ucrânia é o maior recebedor individual de toda a história da AOD, com R$ 44,9 bilhões recebidos. Esse montante foi compensado por 23 países que aumentaram o volume de assistência financeira, com instituições da UE elevando os envios em 65,2%.

O montante recebido pela Ucrânia supera os US$ 28,1 bilhões destinados aos 44 países classificados pela ONU como Países Menos Desenvolvidos (PMD).

Impacto da Redução

Para ilustrar os impactos do corte na ajuda internacional, os pesquisadores da PUC-Rio utilizaram dados da Oxfam, uma organização internacional sem fins lucrativos focada em combater a pobreza. A estimativa é de que os cortes na ajuda externa em 2025 seriam responsáveis por 695.238 mortes em excesso e que, caso a tendência de cortes continue, poderiam causar 9.416.417 mortes até 2030.

A região mais afetada pela redução da ajuda internacional dos países ricos é a África Subsaariana, que viu os recursos diminuírem 23% em 2025, totalizando US$ 29,2 bilhões. Para 2026, a projeção é de uma nova redução de 11,6%, o que representaria US$ 11,8 bilhões a menos para essas nações.

O estudo relembra que 32 dos 49 países da África Subsaariana também fazem parte do grupo de Países Menos Desenvolvidos. Durante a 30ª Conferência da ONU sobre Mudança do Clima (COP30), realizada em Belém, discutiu-se a necessidade de mobilizar US$ 1,3 trilhão para o financiamento climático, embora houvesse um consenso de que esse valor é praticamente inalcançável.

Caminhos

Ao final do diagnóstico, o levantamento propõe caminhos que deveriam ser seguidos para minimizar os impactos em países mais dependentes de ajuda internacional. Entre as ações sugeridas estão direcionar recursos escassos para os países mais pobres, especialmente aqueles que dependem excessivamente de poucos doadores; planejar saídas de financiamento de forma "responsável e coordenada"; e tornar a ajuda mais eficaz e geradora de mais impacto para o desenvolvimento.

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Com informações da Agência Brasil