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Documentos do BC mostram que bases do Pix foram lançadas em 2018

(via Agência Brasil)

| Edição de 19 de julho de 2025 | Atualizado em 19 de julho de 2025

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Em 21 de dezembro de 2018, o sistema de pagamentos brasileiro vivenciou um marco histórico. Após intensos debates que se estenderam por seis meses, um grupo de trabalho composto por 130 representantes de instituições financeiras, escritórios de advocacia, consultorias e do próprio governo, finalizou os alicerces do sistema que viria a revolucionar os pagamentos no Brasil. Naquele dia, ao final do governo do ex-presidente Michel Temer, o Banco Central (BC) divulgou um comunicado que estabelecia as bases do Pix.

Embora o sistema de pagamentos instantâneo, que permite transferências de recursos 24 horas por dia entre diferentes instituições financeiras, tenha sido lançado apenas em novembro de 2020, suas discussões iniciais remontam a 2016. Os requisitos fundamentais da ferramenta foram lançados em 2018, e atualmente, o sistema é alvo de críticas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Início da Modernização

Em dezembro de 2016, Ilan Goldfajn, então recém-empossado presidente do Banco Central, lançou a Agenda BC+, com o objetivo de modernizar o sistema financeiro nacional e promover a inclusão financeira. Um dos pilares dessa agenda era aumentar a eficácia do sistema financeiro.

“Embora o nosso sistema seja notabilizado pela sua dinâmica, há espaços para aperfeiçoamentos visando tornar ainda mais eficiente a oferta de produtos e serviços financeiros a preços competitivos, com externalidades positivas para a eficiência da economia como um todo”, declarou Goldfajn na época.

Sem entrar em detalhes, a apresentação de Goldfajn durante o lançamento da Agenda BC+ tinha como um dos objetivos “elaborar normas que aumentem a agilidade dos processos de autorização dos arranjos de pagamento”. Em 2019, a Agenda BC+ foi renomeada para Agenda BC#.

Em 2016, o Banco Central brasileiro também participou de um relatório do Banco de Compensações Internacionais (BIS) sobre os benefícios de sistemas instantâneos de pagamento. O documento foi produzido por um grupo de trabalho do BIS com 26 Bancos Centrais, incluindo o Federal Reserve e o Banco Central Europeu.

Desenvolvimento do Pix

Os avanços mais concretos na criação do Pix ocorreram em maio de 2018, com o lançamento do Laboratório de Inovações Financeiras e Tecnológicas (Lift), que funciona como uma pré-incubadora de projetos. No mesmo mês, o BC lançou o Grupo de Trabalho Pagamentos Instantâneos, que elaborou as bases do Pix. Em agosto de 2018, o grupo revisou sugestões sobre segurança, velocidade nas transações e câmara de compensações entre instituições financeiras.

Em dezembro de 2018, pouco antes de deixar o cargo, Goldfajn mencionou a elaboração de um sistema de pagamentos instantâneos no balanço anual da Agenda BC+. O Relatório de Administração do BC daquele ano destacou a conclusão do grupo de trabalho e apresentou um infográfico sobre o funcionamento do futuro sistema.

Implementação e Lançamento

Com o conceito e o modo de funcionamento estabelecidos em 2018, o Banco Central anunciou em agosto de 2019 que desenvolveu a base de dados e assumiu a administração do sistema de pagamentos instantâneos. A centralização da base de dados no BC maximiza ganhos de escala e efeitos de rede típicos da indústria de pagamentos, garantindo o bom funcionamento do ecossistema.

O nome Pix foi lançado em fevereiro de 2020, pouco antes do início da pandemia de covid-19. Na ocasião, o então presidente do BC, Roberto Campos Neto, destacou que a ideia partiu de uma demanda da população e vinha sendo discutida pelos Bancos Centrais como um instrumento de pagamento barato, rápido, transparente e seguro.

Em outubro de 2020, uma resolução do BC estabeleceu a gratuidade do Pix para pessoas físicas e microempreendedores individuais (MEI). Após testes internos e adesão das instituições financeiras, o Pix foi lançado em caráter de teste em 3 de novembro de 2020, para uma pequena parcela dos clientes de bancos. O lançamento oficial, com funcionamento 24 horas, ocorreu em 16 de novembro de 2020.

Em cinco anos, o Pix movimentou cerca de R$ 65 trilhões. Em junho deste ano, a ferramenta atingiu um recorde mensal de movimentação, com R$ 2,866 trilhões transferidos, envolvendo 936 instituições financeiras. Em novembro de 2020, mês de lançamento do Pix, foram movimentados R$ 25,869 bilhões, menos de 1% do volume registrado recentemente.



Com informações da Agência Brasil

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