ECONOMIA

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Empresa dos EUA compra única mina brasileira de terras raras

(via Agência Brasil)

| Edição de 20 de abril de 2026 | Atualizado em 20 de abril de 2026

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A mineradora brasileira Serra Verde, especializada na extração de terras raras, foi adquirida pela USA Rare Earth (USAR), uma empresa norte-americana, em uma transação avaliada em aproximadamente US$ 2,8 bilhões. O anúncio da compra foi feito pelas companhias nesta segunda-feira (20).

Localizada em Minaçu, Goiás, a Serra Verde opera a mina de Pela Ema, a única mina de argilas iônicas ativa no Brasil, em operação desde 2024. Com o novo acordo, essa mina passará a ser controlada por uma empresa dos Estados Unidos.

É importante destacar que a Serra Verde é a única produtora fora da Ásia das quatro terras raras pesadas mais críticas e valiosas: Disprósio (Dy), Térbio (Tb) e Ítrio (Y). Atualmente, mais de 90% da extração mundial de terras raras ocorre na China. Esses materiais são fundamentais para a fabricação de ímãs permanentes utilizados em veículos elétricos, turbinas eólicas, robôs, drones, aparelhos de ar-condicionado de alta eficiência, além de serem essenciais nas áreas de semicondutores, defesa, nuclear e aeroespacial.

Segundo a mineradora brasileira, a aquisição permitirá a criação da maior empresa global do setor. A produção em Goiás está em sua fase inicial e ainda é considerada modesta, mas a expectativa é que ela dobre até 2030.

“As operações de mineração e processamento da Serra Verde terão um papel central no estabelecimento da primeira cadeia de suprimentos de terras raras da mina ao ímã fora da Ásia, quando combinadas com as capacidades de mineração e downstream da USAR”, afirmou o grupo Serra Verde em comunicado ao mercado.

Contrato de 15 anos

O contrato firmado prevê o fornecimento de terras raras por 15 anos para abastecer uma Empresa de Propósito Específico (SPV), financiada por diversas agências do governo dos Estados Unidos e por fontes de capital privado. Esse acordo garante preços mínimos para a produção da Fase I das terras raras magnéticas.

“O Acordo de Fornecimento proporciona fluxos de caixa seguros e previsíveis para a Serra Verde, reduzindo riscos, apoiando investimentos e garantindo seu desenvolvimento bem-sucedido”, destacou a nota da USAR.

O comunicado também menciona que o acordo possibilitará a criação de uma empresa multinacional líder em terras raras, com operações no Brasil, EUA, França e Reino Unido, cobrindo toda a cadeia de suprimentos de terras raras leves e pesadas, incluindo mineração, processamento, separação, metalização e fabricação de ímãs.

Em discursos recentes, Donald Trump criticou a dependência mundial da produção chinesa, o que tem gerado tensões com Pequim.

“Esses marcos são um ponto positivo significativo para o Brasil e demonstram a capacidade do país de desempenhar um papel de liderança no desenvolvimento das cadeias globais de suprimentos de terras raras. As garantias de fornecimento, assim como a combinação com a USAR, validam a qualidade da Serra Verde: nossa operação única, nossos colaboradores e seu compromisso com práticas responsáveis”, afirmou Ricardo Grossi, presidente da Serra Verde Pesquisa e Mineração e COO do Grupo Serra Verde.

O mercado reagiu positivamente ao anúncio. Por volta das 15h30, as ações da USAR na Nasdaq registravam alta de mais de 8%.

A aquisição mantém a equipe da empresa brasileira, com dois de seus executivos integrados à diretoria da USAR: Sir Mick Davis e Thras Moraitis, respectivamente Presidente do Conselho e CEO do Grupo Serra Verde.

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Com informações da Agência Brasil