ECONOMIA

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Especialista diz que 95% dos projetos de IA não geram valor a empresas

(via Agência Brasil)

| Edição de 09 de março de 2026 | Atualizado em 09 de março de 2026

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A inteligência artificial (IA), apesar de toda a empolgação e expectativa, ainda não se consolidou como uma ferramenta essencial para impulsionar a produção e os resultados nas empresas que a adotam. Essa é a visão de Norbert Jung, CEO da Bosch Connected Industry, divisão tecnológica da multinacional alemã Bosch.

"Vivemos um grande hype, uma esperança de que a IA possa resolver muitos dos nossos problemas, mas, na realidade, a maioria dos projetos ainda está em fase piloto. Atualmente, 95% dos projetos de IA não geram valor econômico", destacou Jung.

Para o diretor da Bosch, o excesso de informações representa um desafio: "Temos cada vez mais dados, mas isso não se traduz em maior valor gerado".

Brasil homenageado

Jung fez essas declarações durante um painel sobre IA em um evento que antecipou as novidades da Hannover Messe, a maior feira de inovação e tecnologia industrial do mundo, marcada para ocorrer de 20 a 24 de abril em Hannover, Alemanha.

O Brasil será o país homenageado nesta edição, que além de robôs e IA, destacará tecnologias de digitalização, automação, descarbonização e energia limpa.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o chanceler alemão Friedrich Merz confirmaram presença na feira.

Caminhos

Norbert Jung sugere que a integração entre IA e conhecimento humano é o caminho para agregar mais valor às empresas industriais.

"A resposta está em unir IA, máquinas e humanos em uma forma de cointeligência na manufatura", afirmou. "Nós industrializamos a IA generativa", completou.

Essa visão está alinhada com o estudo O Estado da IA nos Negócios em 2025, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), que revela que, apesar de investimentos de US$ 30 a US$ 40 bilhões em IA generativa, 95% das organizações não obtêm retorno.

"O relatório revela um resultado surpreendente: 95% das organizações estão obtendo retorno zero", destacou o estudo.

Robótica e IA

Sven Parusel, chefe de pesquisa da Agile Robots, acredita que a IA começa a "ganhar vida" através dos robôs.

"Estamos vendo a IA sair das telas e entrar nos espaços de manufatura, especialmente com a IA física, unindo robôs e máquinas físicas com capacidades de IA", explicou.

Desde 2018, a empresa desenvolve braços e mãos robóticas, sistemas móveis e robôs humanoides.

"É crucial que todos esses componentes se integrem, trazendo IA para eles e para a própria fábrica", afirmou Parusel.

A Agile desenvolveu um sistema de montagem de caixa de câmbio com dois braços robóticos controlados por IA.

"Utiliza IA para controle e visão computacional para detectar objetos. Já vemos os benefícios: produção mais rápida, flexível e fácil de configurar", descreveu.

Potencial brasileiro

Como país homenageado, o Brasil terá pavilhões de 2,7 mil metros quadrados na Hannover Messe. A ApexBrasil, ligada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, organiza a participação do país.

Serão 140 expositores brasileiros e uma delegação de 300 empresas.

Márcia Nejaim, representante regional da ApexBrasil, acredita que o Brasil tem potencial para ser protagonista em IA.

"Temos condições de estabelecer tendências em tecnologias, como já fizemos no passado com linguagens de computação", afirmou.

Ela citou o instituto de pesquisa Eldorado e as empresas Fu2re e Stefanini como expoentes de IA na feira.

"O Brasil tem profissionais de tecnologia de alto nível, muitos são contratados por empresas estrangeiras", reforçou Nejaim.

*O repórter viajou a convite da Deutsche Messe AG, organizadora da Hannover Messe

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Com informações da Agência Brasil