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Morre a demógrafa Elza Berquó, referência em estudos populacionais

(via Agência Brasil)

| Edição de 16 de julho de 2026 | Atualizado em 16 de julho de 2026

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Elza Salvatori Berquó, renomada demógrafa brasileira, faleceu nesta quinta-feira (16), em São Paulo, aos 100 anos. Com uma carreira marcada pela dedicação à análise de dados demográficos e censitários, Elza foi uma figura central na compreensão das transformações sociais e urbanas do Brasil ao longo do século XX.

Elza Berquó foi uma das responsáveis pela criação de importantes centros de pesquisa no continente, que se tornaram fundamentais para o estudo da urbanização e das mudanças sociais no Brasil entre as décadas de 1960 e 2000.

Defensora incansável dos direitos reprodutivos, Elza lutou pelo acesso universal a métodos contraceptivos e ao aborto seguro, além de abordar com rigor questões como a mortalidade infantil. Sua abordagem combinava o rigor acadêmico com um compromisso político inabalável com os direitos humanos, como destacou Jacqueline Pitanguy, fundadora da ONG Cepia Cidadania, em entrevista à Rádio Nacional.

Trajetória Acadêmica e Contribuições

Nascida em Guaxupé (MG), Elza formou-se em Matemática pela Universidade Católica de Campinas, fez mestrado em Estatística na Universidade de São Paulo (USP) em 1949 e especializou-se em Bioestatística na Columbia University, nos Estados Unidos, em 1950. Sua análise do desenvolvimento populacional paulista, a partir dos censos de 1940 e 1950, destacou-se em 1965, enquanto atuava na Faculdade de Saúde Pública da USP, até ser aposentada compulsoriamente em 1968.

Em 1969, Elza participou da fundação do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), ao lado de intelectuais como Fernando Henrique Cardoso, Octávio Ianni e José Arthur Giannotti, em um período de repressão pela ditadura militar.

Legado e Homenagens

Elza Berquó foi uma das fundadoras do Núcleo de Estudos de População da Unicamp (Nepo-Unicamp), que desde 2014 leva seu nome. A instituição foi o centro das comemorações de seu centenário, em outubro do ano passado, celebrando sua vida e legado.

Em 1995, Elza fundou e presidiu a Comissão Nacional de População e Desenvolvimento, órgão do governo federal que assessora decisões estratégicas na área. Richarlls Martins, atual presidente da CNPD, destacou sua contribuição para a ampliação dos direitos humanos e a defesa da democracia ao longo de sua vida centenária.

Elza Berquó é reconhecida como a "mãe da demografia brasileira", tendo desempenhado um papel crucial no desenvolvimento de instituições como a ABEP, o NEPO e a CNPD. Eduardo Rios Neto, acadêmico que trabalhou com Elza na ABEP, ressaltou sua trajetória excepcional e o impacto duradouro de suas contribuições para a demografia no Brasil.

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Com informações da Agência Brasil