Os planos de saúde coletivos registraram um reajuste médio de 9,9% nos primeiros dois meses de 2026, conforme dados divulgados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Embora seja o menor aumento em cinco anos, esse percentual ainda é mais que o dobro da inflação oficial.
Os reajustes dos planos coletivos, que incluem contratos firmados por empresas, empresários individuais e associações de classe, foram menores apenas em 2021, quando a alta foi de 6,43%. Naquele ano, a pandemia de covid-19 e o consequente isolamento social resultaram em uma redução significativa na realização de consultas, exames e cirurgias eletivas.
Média de Reajuste dos Últimos Anos
| ANO | REAJUSTE |
| 2016 | 15,74% |
| 2017 | 14,24% |
| 2018 | 11,96% |
| 2019 | 10,55% |
| 2020 | 7,71% |
| 2021 | 6,43% |
| 2022 | 11,48% |
| 2023 | 14,13% |
| 2024 | 13,18% |
| 2025 | 10,76% |
| 2026 | 9,90% |
Comparação com a Inflação
Em fevereiro de 2026, a inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), foi de 3,81%. O Instituto de Defesa de Consumidores (Idec) critica frequentemente os reajustes dos planos de saúde que superam a inflação. No entanto, a ANS argumenta que a comparação direta entre inflação e reajustes não é adequada, pois os cálculos consideram variações nos preços dos serviços de saúde e na frequência de uso desses serviços.
“O percentual calculado pela ANS considera aspectos como as mudanças nos preços dos produtos e serviços em saúde, bem como as mudanças na frequência de utilização dos serviços de saúde”, explica a agência.
Regras para Reajuste
Os reajustes dos planos coletivos são negociados livremente entre a pessoa jurídica contratante e a operadora, diferentemente dos planos individuais, cujos reajustes são definidos pela ANS. Nos planos coletivos com menos de 30 beneficiados, o reajuste é uniforme por operadora, permitindo à ANS observar a média de reajuste por porte.
Nos primeiros meses de 2026, os planos com 30 ou mais beneficiados tiveram um aumento médio de 8,71%, enquanto aqueles com até 29 clientes subiram 13,48%. A maioria dos clientes, 77%, está em planos com 30 ou mais beneficiados.
Dados do Setor
Em março de 2026, o Brasil contava com 53 milhões de vínculos de planos de saúde, um aumento de 906 mil em um ano. Desses, 84% eram de planos coletivos. Em 2025, o setor de saúde suplementar registrou receitas totais de R$ 391,6 bilhões, com um lucro líquido de R$ 24,4 bilhões, o maior já registrado, significando um lucro de R$ 6,20 para cada R$ 100 recebidos.
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Com informações da Agência Brasil