A Nova Indústria Brasil (NIB), uma política do governo federal que visa incentivar a indústria nacional, receberá um aporte adicional de R$ 140 bilhões até o final deste ano. Com esse incremento, o programa de apoio à industrialização, lançado em 2024, alcançará um total de R$ 750 bilhões em investimentos.
Do montante recém-anunciado, R$ 102,5 bilhões serão provenientes do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), uma instituição pública ligada ao governo federal e dedicada ao fomento de setores estratégicos da economia.
A Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), que é uma agência de fomento à inovação vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), contribuirá com R$ 37,5 bilhões.
O anúncio do aporte de recursos para o programa foi feito nesta segunda-feira (22), durante uma cerimônia em comemoração aos 74 anos do BNDES, realizada na sede da instituição no Rio de Janeiro.
O evento contou com a presença do presidente da República, Luís Inácio Lula da Silva, do presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, do vice-presidente Geraldo Alckmin e de ministros.
Setores Escolhidos
Os recursos serão direcionados para áreas como fertilizantes, máquinas agrícolas, insumos farmacêuticos ativos (IFAs), biofármacos, terapias avançadas, mobilidade sustentável, inteligência artificial, audiovisual, minerais críticos e tecnologias duais (aplicações civis e militares).
Aloizio Mercadante destacou o papel do banco na recuperação da indústria brasileira durante o governo do presidente Lula.
“A indústria teve um saldo extraordinário, nós interrompemos aquela desindustrialização prematura, estamos renovando, relançando a indústria, que é o carro-chefe, voltou a ser o principal setor de financiamento do BNDES. Não era assim, agora é”, declarou.
Empresários
O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, destacou que, embora o BNDES tenha aportado os recursos da NIB, o setor privado também acompanhou o investimento.
Segundo ele, o BNDES atua como um catalisador de investimentos privados.
“Das seis missões [objetivos estratégicos] que nós desenhamos na NIB, em quatro delas o setor privado é o que responde pela maior parte dos investimentos”, apontou.
Na mesma solenidade, o governo federal lançou o Portal Investe Indústria Brasil. O ambiente virtual, com apoio da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), funciona como um canal para empresas dos setores estratégicos registrarem intenções de investimento e os gargalos que impedem a realização.
O presidente Lula ressaltou a importância do trabalho do corpo técnico do BNDES.
Minerais Críticos
Durante o evento, o BNDES e a Petrobras anunciaram uma parceria para desenvolver iniciativas de pesquisa, desenvolvimento e inovação relacionadas a minerais críticos e estratégicos, essenciais para as cadeias de transição energética e de óleo e gás.
A parceria inclui troca de informações e análises das principais lacunas de capacidade produtiva ou tecnológica.
A presidente da estatal de petróleo, Magda Chambriard, afirmou que a empresa quer “dominar o cenário de tecnologia em minerais críticos”.
“O Brasil tem uma posição privilegiada nesse contexto, e a gente quer participar disso. Queremos no Brasil uma cadeia global de fornecimento. Queremos a Petrobras participando dessa cadeia global”, afirmou.
Mercado de Carbono
O BNDES e a Petrobras também anunciaram os nomes das três empresas vencedoras do primeiro leilão do ProFloresta+, uma iniciativa conjunta voltada à compra de créditos de carbono gerados a partir da restauração ecológica de áreas degradadas na Amazônia.
As empresas selecionadas são a Systemica, brCarbon e re.green. A iniciativa deverá mobilizar cerca de R$ 450 milhões em investimentos, apenas em plantio, gerar 6,3 mil empregos verdes, viabilizar o plantio de mais de 25 milhões de árvores nativas e capturar 5 milhões de toneladas de carbono.
E-bikes
Durante a cerimônia de aniversário do BNDES, foi anunciado também o financiamento de R$ 340 milhões para a Tembici, empresa de aluguel de bicicletas, adquirir até 85 mil bicicletas elétricas (e-bikes), que serão alugadas a entregadores de plataformas digitais com custo 25% menor do que o atual.
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Com informações da Agência Brasil