A decisão de Carlo Ancelotti de não escalar Endrick no empate por 1 a 1 contra Marrocos, na estreia da Copa do Mundo em Nova Jersey, gerou reações diversas, algumas até irônicas, tanto no Brasil quanto no exterior. Passados dezesseis dias, o técnico agora considera a possibilidade de colocar o jovem atacante como titular nas oitavas de final do Mundial, contra Noruega ou Costa do Marfim, neste domingo (5), às 17h (horário de Brasília).
Após a lesão do meia Lucas Paquetá, substituído no intervalo do jogo contra o Japão, em Houston, Endrick foi chamado para entrar em campo. Naquele momento, o Brasil perdia por 1 a 0. No entanto, a seleção brasileira conseguiu virar o jogo, vencendo por 2 a 1, com o segundo gol marcado nos minutos finais do segundo tempo.
"Sim, podemos começar dessa maneira [com Endrick no lugar de Lucas Paquetá]. Precisávamos de mais força na área e o Endrick poderia colocar essa força e presença. Ele fez um jogo muito bom porque esteve intenso e perigoso", afirmou Ancelotti em coletiva após a partida em Houston.
A entrada do ex-atacante do Palmeiras também refletiu uma mudança de estratégia ao longo do confronto. Se no primeiro tempo a tentativa frustrada era de infiltrações pelo meio, o Brasil passou a pressionar a defesa japonesa com cruzamentos. Foram 25 ao longo do jogo, um deles resultando no gol de empate, marcado por Casemiro.
"Tivemos problemas no primeiro tempo para criar oportunidades porque o Japão estava muito fechado. Buscamos soluções com mais cruzamentos e presença na área. Acho que é uma evolução. Se no outro jogo não tivemos problemas para encontrar espaço, desta vez foi diferente, mas conseguimos resolver bem na segunda etapa", avaliou o treinador, referindo-se à vitória por 3 a 0 sobre a Escócia, na última quarta-feira (24), em Miami, pela fase de grupos.
Desde 2002, quando venceu a Inglaterra por 2 a 1, em Shizuoka, o Brasil não conseguia virar um jogo eliminatório de Copa. Coincidentemente, aquela foi a edição do último título mundial da seleção brasileira. Mais do que um bom presságio, o triunfo desta segunda-feira sinaliza, para Ancelotti, o amadurecimento do time.
"Estava confiante [mesmo em desvantagem no placar] porque a equipe começou bem. Depois encontramos dificuldades para pressionar o Japão, que é uma equipe respeitável, muito perigosa e com jogadores fortes nos duelos. Mas [o Brasil] não era uma equipe perdida como no primeiro tempo contra Marrocos", disse o técnico, minimizando erros como quando o lateral Danilo entregou a bola nos pés do volante Kaishu Sano, no lance do gol japonês.
"O futebol tem erros. Temos que pensar adiante. Ninguém pensava que a equipe não iria empatar. Sofrimento é normal, sobretudo no futebol moderno. Como é normal o alívio", concluiu o italiano.
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Com informações da Agência Brasil