Os nomes de Thibaut Courtois, Kevin de Bruyne e Romelu Lukaku ainda são lembrados com um certo arrepio pelos torcedores brasileiros. Junto ao já aposentado Eden Hazard, eles formaram a chamada geração de ouro do futebol belga, que teve seu ápice na vitória por 2 a 1 contra o Brasil nas quartas de final da Copa do Mundo de 2018, na Rússia.
Esse trio faz a ponte entre aquele grupo de jogadores que brilhou nos grandes clubes europeus, mas não conquistou títulos pelo país, e uma nova safra que, oito anos depois, levou a Bélgica de volta às quartas de um Mundial.
A goleada por 4 a 1 sobre os anfitriões Estados Unidos, em Seattle, na segunda-feira (6), colocou os Diabos Vermelhos no caminho da Espanha. O confronto está marcado para sexta-feira (10), às 16h (horário de Brasília), em Los Angeles.
A classificação por si só já seria motivo de comemoração, mas a forma como foi conquistada, especialmente contra esse adversário, tornou a vitória ainda mais doce para os belgas. Isso porque, mesmo após o Comitê Disciplinar da FIFA suspender o efeito suspensivo do cartão vermelho dado ao norte-americano Folarin Balogun na vitória sobre a Bósnia e Herzegovina, por 2 a 0, nos 16 avos de final, a Bélgica conseguiu avançar.
Nas redes sociais, a Real Associação Belga de Futebol não perdeu a oportunidade de alfinetar. Primeiro, com a mensagem "O nome é futebol", riscando o termo "soccer", como o esporte é chamado nos Estados Unidos. Em outra publicação, provocaram: "Revertam isso", em referência à liberação de Balogun para jogar, mesmo após a expulsão.
A polêmica aumentou quando o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contatou Gianni Infantino, presidente da FIFA, pedindo a revisão da expulsão de Balogun. Trump alegou, sem provas, que o árbitro brasileiro Raphael Claus, que deu o cartão vermelho ao atacante, era "muito suspeito". O recurso da Bélgica não foi aceito.
Com a bola rolando, Balogun, mesmo titular, teve atuação apagada. Motivada pelo clima extracampo, a Bélgica dominou o jogo. Saiu para o intervalo com dois gols de Charles de Ketelaere, de 25 anos, um dos talentos emergentes que a geração dourada está passando o bastão. Malik Tillman descontou para os Estados Unidos em cobrança de falta.
No segundo tempo, um erro do goleiro Matt Freese, que ao tentar afastar a bola fora da área chutou o chão, resultou no terceiro gol belga, marcado por Hans Vanaken. No final, Lukaku, que entrou no segundo tempo, fechou o placar. Na comemoração, o atacante imitou a dança de Trump, junto aos colegas de seleção.
"Acho que sempre há justiça em algum lugar na vida. Você pode argumentar o quanto quiser, mas não achamos que tenha sido justo. E hoje [segunda], acho que isso nos trouxe um pouco de sorte", disse o meia Nicolas Raskin aos jornalistas presentes no estádio, segundo a Reuters.
De acordo com a agência de notícias, o técnico dos Diabos Vermelhos, Rudi Garcia, minimizou o episódio. Em coletiva de imprensa, o treinador francês revelou que Balogun o procurou para afirmar que a confusão não era culpa do jogador.
"Não, não foi necessário nem essencial [usar a polêmica para motivar o elenco]. O que realmente importava era nosso plano de jogo", resumiu.
?
Com informações da Agência Brasil