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Reação ao racismo contra jogadores negros na Copa vai além do futebol

(via Agência Brasil)

| Edição de 14 de julho de 2026 | Atualizado em 14 de julho de 2026

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Vídeos que circulam nas redes sociais capturam a seleção francesa de futebol em um momento de descontração durante os treinos, antes de enfrentar a Espanha em uma das semifinais da Copa do Mundo de 2026. Este confronto decisivo ocorrerá na terça-feira (14), nos Estados Unidos, e determinará um dos finalistas do torneio.

Fora das quatro linhas, no entanto, jogadores e autoridades de ambos os países se unem em uma frente séria para condenar declarações racistas dirigidas aos "Les Blues", apelido da seleção francesa de futebol.

O time e seus jogadores têm sido alvo de comentários discriminatórios ao longo do campeonato. No domingo (11), um artigo do ex-primeiro-ministro espanhol Mariano Rajoy veio à tona, no qual ele afirmava que a França possui um "plantel de altíssimo nível", mas sem franceses. A declaração fazia referência depreciativa à presença de jogadores descendentes de imigrantes, principalmente de antigas colônias africanas, refletindo a diversidade étnica da sociedade francesa.

O comentário de Rajoy foi prontamente rebatido por jogadores espanhóis, como Pau Cubarsí e Borja Iglesias, além do atual primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez. Em suas redes sociais, Sánchez classificou a afirmação de seu antecessor como vergonhosa e declarou: "que vença o melhor e que perca o racismo".

Marcelo Carvalho, diretor-executivo do Observatório da Discriminação Racial no Futebol, uma organização da sociedade civil brasileira, comentou que tais declarações refletem o pensamento de grupos sociais alinhados à extrema-direita.

"O momento político do Brasil e do mundo, com a ascensão da extrema-direita, faz com que as pessoas se sintam mais confiantes para expressar o racismo", avaliou Carvalho, que também acredita que a sensação de anonimato na internet contribui para os ataques. "Elas acreditam que não serão encontradas".

Aumento de ataques racistas

Durante esta Copa, a Federação Internacional de Futebol (Fifa) revelou um aumento expressivo de ataques racistas. Na fase inicial, foram registradas 89 mil publicações abusivas nas redes sociais, um número 13 vezes maior do que na Copa de 2022, com 11% de teor racial, superando o índice do torneio anterior.

Acompanhando os casos no torneio, Carvalho destaca que a própria Fifa tem tomado medidas para conter esses atos. Desde o início da competição, dois jogadores - um do Paraguai e outro do Equador - foram expulsos em razão do Protocolo Vini Jr. de combate ao racismo. Eles cobriram a boca com as mãos durante discussões em campo, o que foi proibido para evitar a ocultação de provas.

"Antes, era a palavra de um contra a de outro, e a vítima saía prejudicada", disse.

Agora, além do apoio dos jogadores, há o das federações e de autoridades, o que, na visão do especialista, "é um movimento que transforma tanto o futebol como a sociedade".

"Vimos inúmeros atletas sofrendo racismo depois do Vini, mas que não se calaram, denunciaram, porque o Vinícius mostrou um caminho, tanto ele, quanto o [Kylian] Mbappé, que sempre se posicionou", citou. "Quando a Federação Francesa de Futebol e o governo francês saem em defesa do Mbappé, estão saindo em defesa de todas as pessoas negras e isso está muito além do futebol", completou o diretor.

Antes de Rajoy atacar a seleção francesa de futebol, a senadora paraguaia Celeste Amarilla dirigiu pesados insultos racistas a Mbappé, logo após a derrota do Paraguai para o time europeu.

Ela foi rebatida pelo próprio Mbappé, que afirmou que a política é indigna da posição de representante dos paraguaios no parlamento. O jogador recebeu apoio tanto da Federação Francesa de Futebol quanto das autoridades de seu país.

"As declarações racistas feitas pela senadora paraguaia Celeste Amarilla contra Kylian Mbappé são absolutamente desprezíveis e inaceitáveis", disse a federação, que acionou a Procuradoria francesa.

O órgão abriu um inquérito por injúria agravada e incitação ao ódio e à violência. "Como alguém pode proferir tais palavras? Essas declarações são criminosas e repreensíveis", completou a federação.

"Não estamos mais deixando os casos 'passarem batido'", finalizou o diretor do Observatório.

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Com informações da Agência Brasil