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Tubarões Azuis nadam contra a corrente rumo à Copa 2026

(via Agência Brasil)

| Edição de 25 de março de 2026 | Atualizado em 25 de março de 2026

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A Copa do Mundo de 2026, marcada para junho, será um evento histórico, pois pela primeira vez reunirá 48 seleções em jogos nos Estados Unidos, México e Canadá. Este aumento de 16 vagas em relação à edição anterior, no Catar, abre espaço para estreias de seleções no Mundial, como a de Cabo Verde. Este pequeno país insular, o segundo menor a participar, apenas à frente de Curaçau, também estreante, se junta a Jordânia e Uzbequistão como novos competidores.

Para garantir sua vaga, Cabo Verde protagonizou um dos momentos mais marcantes de sua história esportiva, convocando jogadores da diáspora, ou seja, que vivem fora do arquipélago. Esta estratégia foi fundamental para a classificação inédita.

Cabo Verde é composto por dez pequenas ilhas montanhosas, situadas próximo à costa noroeste da África, com uma população de cerca de 500 mil habitantes. Fora do país, entre Europa e Américas, vivem mais de um milhão de cabo-verdianos e seus descendentes.

Um País Cosmopolita

"Somos um país cosmopolita que se formou através da ligação entre África, Américas e Europa", explica João Almeida Medina, jornalista e professor da Universidade de Cabo Verde. Ele destaca que essa diversidade cultural facilita a adaptação de pessoas que chegam ao país, fruto de uma longa história de intercâmbio entre povos.

Há meio século, com a independência de Cabo Verde de Portugal, o esporte começou a ganhar força como um símbolo de unidade nacional, impulsionado pelo líder Amílcar Cabral. Ele via no futebol uma metáfora para a união, onde habilidades diferentes se complementam em prol de um objetivo comum.

Os Tubarões Azuis

A seleção de Cabo Verde, conhecida como Tubarões Azuis, se filiou à Confederação Africana de Futebol em 1986 e à FIFA em 1988. O apelido faz referência aos tubarões locais, que enfrentam desafios devido ao aquecimento global, afetando seu habitat natural.

Em 2012, sob o comando do técnico Lúcio Antunes, a seleção alcançou as quartas de final do Campeonato Africano das Nações, um feito inédito. Antunes inovou ao convocar jogadores da diáspora, incluindo atletas de segunda e terceira geração vivendo em países como Holanda, França, Espanha e Portugal.

Renovação e Esperança

Apesar de altos e baixos nos anos seguintes, a seleção não desistiu. Em 2020, durante a pandemia de covid-19, Pedro Brito, conhecido como Bubista, assumiu o comando técnico, trazendo uma nova esperança. Sob sua liderança, Cabo Verde se classificou para duas Copas Africanas consecutivas e garantiu sua vaga para o Mundial de 2026.

Bubista uniu gerações, combinando a experiência dos veteranos com o vigor dos novos talentos. Nas eliminatórias, Cabo Verde superou favoritos e viveu momentos históricos, como a vitória sobre Camarões, impulsionada pelo gol de Daylon Livramento.

"O resultado sacudiu o espírito de um país inteiro", comenta Medina, lembrando a festa que tomou as ruas após a vitória. Para 2026, a expectativa é enfrentar gigantes, contando com o apoio da torcida cabo-verdiana e, possivelmente, da brasileira.

"Não iremos apenas participar", afirma Medina. "Temos uma equipe equilibrada, liderança e entusiasmo. Com o apoio da torcida, faremos bonito nos Estados Unidos", profetiza.

Em preparação, Cabo Verde enfrenta o Chile em um amistoso na Nova Zelândia, e a seleção oficial deve ser anunciada entre abril e maio.

* Colaborou Isabela Vieira, da Agência Brasil

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Com informações da Agência Brasil