Sentadas no chão da Avenida Paulista, em São Paulo, crianças moldam a argila, criando pequenos vasos para as sementes e mudas que receberam. Este gesto simbólico rememora os sete anos de uma das maiores tragédias do Brasil, quando 272 vidas foram perdidas após o rompimento da barragem da mineradora Vale, em Brumadinho.
O evento foi organizado pelo Instituto Camila e Luiz Taliberti, criado em homenagem aos filhos de Helena Taliberti, vítimas do desastre. Eles estavam na Pousada Nova Estância, tragada pelos rejeitos.
Além dos filhos, Helena perdeu sua nora, Fernanda Damian, grávida de cinco meses, e seu ex-marido, pai de Camila e Luiz, que estava com sua esposa na época.
“As crianças são o nosso futuro”, declarou Helena, emocionada, à Agência Brasil. “Não terei netos, mas sinto a obrigação de cuidar do futuro dessas gerações, para que compreendam o que é o meio ambiente. Ele não está apenas na Amazônia ou no Pantanal”, desabafou.
Helena destaca a importância de preservar todos os biomas, lembrando que São Paulo está inserida na Mata Atlântica, mas possui apenas 12% de sua cobertura original.
"Precisamos criar nichos de respiro para o planeta dentro das cidades. São Paulo necessita de áreas verdes e um trabalho com as novas gerações para não se tornar inviável para morar", reforçou.
Além da oficina de argila, uma sirene soou na Avenida Paulista às 12h28, horário em que a tragédia de Brumadinho começou, lembrando que, há sete anos, a sirene de alerta não tocou.
“As investigações mostraram que a empresa sabia dos problemas na barragem e não fez a manutenção adequada. A tragédia poderia ter sido evitada”, afirma Helena. Se a sirene tivesse tocado, vidas teriam sido salvas.
"É crucial chamar atenção para essa tragédia para que não se repita. Precisamos lembrar que aconteceu em Mariana antes de Brumadinho. Mariana foi a verdadeira sirene de Brumadinho que ninguém ouviu”, destacou Helena.
Sem justiça
Sete anos após a tragédia, ainda não houve responsabilização criminal. Um processo tramita na Justiça mineira para julgar 15 pessoas envolvidas.
“A Justiça não foi feita”, conclui Helena. “A reparação é lenta e inadequada. As pessoas perderam tudo - casas, lavouras, animais - e nada foi reposto”, lamentou.
Helena enfatiza que a reparação é um termo duvidoso, pois não se pode reparar a morte de alguém. "Mas a reparação precisa acontecer para os atingidos, e a justiça deve responsabilizar os envolvidos”, ressaltou.
Para a ativista, a responsabilização é essencial para evitar novas tragédias. “A impunidade abre portas para que isso aconteça novamente. Não podemos permitir que se repita.”
Com informações da Agência Brasil