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Crise na Casas Bahia pode gerar prejuízos de R$ 70 mi no polo moveleiro de Arapongas

Da Redação

| Edição de 21 de agosto de 2026 | Atualizado em 21 de agosto de 2026
José Lopes Aquino da Colibri Móveis, empresa de Arapongas.

Foto Gilson Abreu/AEN
José Lopes Aquino da Colibri Móveis, empresa de Arapongas. Foto Gilson Abreu/AEN

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A crise financeira do Grupo Casas Bahia, que oficializou um pedido de recuperação judicial no último domingo (16), pode gerar um impacto de aproximadamente R$ 70 milhões para as fábricas de móveis de Arapongas, no norte do Paraná. As indústrias do município são importantes fornecedoras de produtos para a gigante do varejo, que agora busca a intervenção da Justiça paulista para renegociar cerca de R$ 17,3 bilhões em dívidas e tentar reequilibrar seu caixa. 

A estimativa do impacto no polo moveleiro foi confirmada à reportagem pelo presidente do Sindicato das Indústrias de Móveis de Arapongas (Sima), José Lopes Aquino. Segundo ele, o montante, embora expressivo, ainda é uma avaliação inicial. Aquino pondera que o prejuízo real pode ser atenuado. Ele destaca que algumas empresas possuem seguro de crédito capaz de acobertar total ou parcialmente o valor das vendas. Contudo, o sindicato ressalta que não é possível fazer afirmações definitivas no momento, pois não há acesso a dados oficiais consolidados das negociações de cada fábrica.

O pedido de recuperação judicial da Casas Bahia envolve a própria companhia e outras nove empresas do grupo, incluindo a Indústria de Móveis Bartira. O objetivo principal da medida é reorganizar as finanças da varejista, evitar a falência e preservar os mais de 20 mil empregos atuais. A direção da empresa informou que pretende manter o funcionamento normal de suas lojas físicas, do comércio eletrônico e dos demais canais de atendimento, sem interrupções significativas para os consumidores.

A ida aos tribunais marca o agravamento de um processo de reestruturação que a companhia iniciou há cerca de três anos. Em meados de 2023, a empresa lançou um plano voltado à redução de custos, que resultou no fechamento de lojas e em milhares de demissões. Já em 2024, a Casas Bahia realizou uma recuperação extrajudicial para renegociar R$ 4,1 bilhões com instituições financeiras. A expectativa era de que a manobra, aliada a uma melhora na economia, estabilizasse as contas.

No entanto, a varejista justificou ao mercado que o cenário econômico continuou desfavorável, fortemente marcado por juros elevados, restrição ao crédito e enfraquecimento do consumo. A situação se deteriorou após a empresa falhar na tentativa de captar novos recursos com investidores internacionais, o que restringiu sua liquidez.

Apenas no segundo trimestre de 2026, a companhia registrou um prejuízo contábil de R$ 10,1 bilhões. 

Mesmo informando que pretende manter suas unidades apesar da crise, a Casas Bahia fechou inúmeras lojas no país nos últimos anos. Em Apucarana, a unidade está funcionando normalmente na área central.