A rotina de quem decide carregar a farda de bombeiro militar começa muito antes do soar das primeiras sirenes de emergência. No 11º Batalhão de Bombeiros Militares (BBM) de Apucarana, trinta alunos-soldados passam atualmente por um processo rigoroso de formação técnica, física e emocional para ingressar de forma definitiva na corporação. Integrantes do chamado “Pelotão Alpha”, os novos alunos enfrentam um curso em tempo integral com duração média de 9 meses.
A turma atual chama a atenção pela diversidade geográfica: além de moradores de polos locais como Apucarana, Arapongas e Londrina, há candidatos vindos de outros estados, incluindo Santa Catarina, Mato Grosso do Sul e São Paulo.
A transição de civil para militar exige sacrifícios logo no início da jornada. De acordo com o coordenador do curso de bombeiros, tenente Everson Martins, a chamada “Semana Zero” funciona como uma imersão extrema de quatro dias de internato obrigatório no Posto 1.
“Tivemos quatro dias com os alunos aqui no Posto 1, nos quais eles não saíram e permaneceram aqui internados. Esse período serve como adaptação ao ambiente militar e à rotina intensa que eles viverão nesses nove meses de formação. Então, é uma virada de chave da vida de civil para a vida de militar”, relata o oficial.
Iniciada às 6h45 com a chamada “em forma” para a conferência, a rotina dos alunos segue com o hasteamento da bandeira nacional antes de entrarem nas salas de aula e nos pátios de instrução teórica e prática, cujas atividades duram das 7h30 às 18h. No currículo estão disciplinas densas como direito, atendimento pré-hospitalar, combate a incêndio, natação e educação física militar.
A exigência de desempenho físico igualitário é um dos principais fatores de pressão sobre a turma. Para as mulheres da turma – são quatro alunas - , o processo exige um esforço físico extra por conta de limitações biológicas, embora as cobranças e o nível de responsabilidade sejam iguais aos dos homens.
A aluna soldada Lorena Beatriz Rossi, Apucarana, aborda com naturalidade essa questão: “A única distinção é o nível do nosso esforço. Temos que nos esforçar mais para conseguirmos estar pareadas com os nossos colegas e parceiros. Existe uma pequena distinção biológica, que é natural, no que diz respeito ao esforço físico. Então, temos que fazer um pouco mais de esforço para conseguir realizar tudo. Mas as responsabilidades e atividades são iguais. Temos que cumpri-las da mesma maneira”.
Já o aluno Fabricio Holowka aponta que o acúmulo de tarefas ao longo do dia é o que mais exige perseverança. “O desafio é a própria rotina, que é bem intensa. São diversas atividades durante o dia, o que gera exaustão para nós ao longo da jornada”.