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Estiagem causa perda milionária em Borrazópolis

Gabrielly Campos

| Edição de 20 de março de 2026 | Atualizado em 20 de março de 2026

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Uma estiagem severa que afetou Borrazópolis levou o Governo Federal a reconhecer estado de emergência no município. A medida visa mitigar as perdas enfrentadas pelos produtores rurais. Só na cultura da soja, carro-chefe da agricultura do município, a quebra é estimada em R$ 53 milhões.

O período de estiagem se prolongou entre 2 de janeiro a 12 de fevereiro, na fase de enchimento de grãos da cultura.O problema, no entanto, é localizado: cidades vizinhas não registraram perdas severas. O agricultor João Tsotomu Suzuki, de 66 anos, relata que a área sempre foi de fartura e que, a poucos quilômetros de sua propriedade, localizada em Borrazópolis, a produção seguiu normal. “Está difícil entender. Historicamente, sempre foi uma região de muita fartura de chuva”, lamentou.

Segundo o secretário de Agricultura de Borrazópolis, Cristiano da Silva Stapait , foram plantados sete mil alqueires de soja na safra de verão do município. Os produtores esperavam colher cerca de 165 sacas por alqueire, mas, com a estiagem, a média caiu para 100, com qualidade dos grãos afetada pela escassez hídrica.

É o caso do agricultor João Suzuki. Segundo ele, a perda estimada na colheita de soja será de 40%, mas, na prática, o prejuízo pode ser ainda maior. “Na produção da lavoura estimo perda de 40%, mas, quando vamos entregar, esse percentual aumenta por avarias, má formação e desigualdade na maturação”, explicou.

Dados preliminares apontam para uma perda milionária na agricultura do município. Segundo o secretário da pasta, os prejuízos giram em torno de R$ 53 milhões só na cultura da sola. Só na propriedade de João Suzuki, a estimativa é de perda de R$ 300 mil.

Em anos normais, Suzuki colhe cerca de 180 sacas por alqueire. Nesta safra, a média é de 100. “Não vai dar para pagar os custos. Com 90 a 100 sacas, não aciona seguro e não sobra nada. Não dá para acreditar”, disse.

O município também tem buscado alternativas para apoiar os produtores. Segundo Stapait , já foram adotadas medidas emergenciais. “Fizemos os decretos para garantir amparo legal e possibilitar a renegociação de dívidas junto aos agentes financeiros. Isso no curto prazo, mas estamos estudando outras ações para ajudá-los”, explicou.

PERDAS NA PECUÁRIA E HORTIFRUTIS

As perdas não se restringem à produção de grãos. Segundo o técnico do IDR Paraná, Leandro Cividini, os prejuízos no hortifruti chegam a quase R$ 90 mil e, na pecuária, a R$ 900 mil. “Do ponto de vista do setor público, elaboramos o laudo de estimativa de perdas no município para oficializar os dados e permitir que agentes financeiros liberem a prorrogação de financiamentos e seguros agrícolas, como o Proagro”, destacou.

Suzuki agora tenta lidar com os prejuízos e já fala em recomeço, buscando adaptação às mudanças climáticas. “Agora é rever onde erramos e tentar nos adaptar. A tendência é piorar, mesmo que volte ao normal, se é que vai voltar”, completou.