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Frota ‘placa preta’ ganha as ruas e cresce 63% em um ano

Gabriela Jacuboski

| Edição de 14 de julho de 2026 | Atualizado em 14 de julho de 2026

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Os carros de coleção, facilmente reconhecidos pelas placas pretas, estão cada vez mais presentes nas ruas da região. De acordo com dados do Departamento de Trânsito do Paraná (Detran-PR), a frota de veículos de coleção com mais de 30 anos na região cresceu aproximadamente 63% em um ano, passando de 212, em maio de 2025, para 345, em maio de 2026 (ver infográfico). Atualmente os veículos de coleção circulam em 18 municípios e avançam junto a frota por fatores como maior valorização de mercado, maior facilidade de regularização entre outros.

Na região, a maior frota colecionável circula em Apucarana. São 127 veículos ‘placa preta’, quase o dobro do registrado em maio do ano passado, quando 75 tinham essa especificação. Em Arapongas, a frota colecionável também praticamente dobrou, passando de 68 para 121.

Vários fatores podem ajudar a explicar o aumento no número de carros de coleção na frota paranaense. Um deles é a descentralização e facilitação do processo burocrático. José Carlos Mendes, 49 anos, que é colecionador e apaixonado por carros antigos desde a infância, explica que atualmente, não é mais necessário recorrer aos grandes centros para conseguir atestar a originalidade do automóvel. “O acesso está mais fácil. Hoje em dia, temos clubes credenciados na região, o que facilita para quem tem um veículo em condições. Antigamente, era preciso fazer contato com clubes das grandes capitais para realizar a vistoria”, disse.

Para que um carro obtenha o status oficial de coleção, ele deve ter sido fabricado há mais de 30 anos e ter pelo menos 80% de originalidade. Além disso, também é necessário possuir condições de circular e o Certificado de Veículo de Coleção (CVCOL). José Carlos, por exemplo, certificou seu Fusca com 93 pontos de originalidade. “Quando eu comprei ainda não tinha placa preta. Em um encontro de carros antigos, um amigo chamou o representante da certificação pra ver o carro e ele disse que pelas condições tinha grandes chances de ser aprovado. Aí, dei andamento na solicitação e deu certo “, afirmou.

Mecânico, José Carlos é proprietário de um Fusca, modelo 1967, que carrega um significado especial. “O carro que tenho hoje é idêntico ao primeiro carro do meu pai. Quando éramos crianças, adorávamos passear com ele”, contou. Para realizar o sonho, José Carlos viajou até Siqueira Campos, a cerca de 250 quilômetros de Apucarana, para buscar o veículo. “Ele veio rodando à noite, foi uma aventura”, relembrou o apucaranense que já teve um Fusca 1979 e um Gol BX 1984.

PAIXÃO DE INFÂNCIA

Assim como José Carlos, o farmacêutico Rafael Ferdinandi, 40 anos, de Arapongas, também cultiva a paixão pelos veículos antigos desde criança. Embora já tenha sido proprietário de diversos modelos clássicos, a Chevrolet C10 1974 é o primeiro automóvel de sua coleção a ostentar a cobiçada placa preta.

Segundo Rafael, a caminhonete era um sonho antigo que ele encontrou em Jaraguá do Sul (SC), a cerca de 600 quilômetros de Arapongas. “Fomos até lá, vimos que o carro era legal, fechamos negócio e voltei com ela. Viemos curtindo. A gente viu na estrada as reações das pessoas, olhando, buzinando”, explicou.

Há cerca de seis meses com o veículo, Rafael contou que a Lata-Velha, nome dado à caminhonete pela sua filha, o conquistou pela robustez, já que possui um motor seis cilindros “muito forte e confiável” e ainda pela sua identidade. “Ele tem uma história. Você olha para ele e fica pensando, ‘nossa, o que isso aqui já não viveu? O que isso aqui já não passou? Quantas pessoas já não carregou aqui? O que já aconteceu com esse veículo na vida dele?’”, acrescentou.