A Polícia Civil do Paraná indiciou quatro funcionárias da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de Apucarana após investigação de denúncias de supostas situações de maus-tratos a alunos da instituição. A investigação é conduzida pela Polícia Civil do Paraná, por meio da Delegacia da Mulher de Apucarana, sob comando da delegada Luana Lopes.
Segundo a polícia, quatro pessoas ligadas à instituição — entre elas uma professora, uma auxiliar, a coordenadora pedagógica e a diretora — foram indiciadas após denúncias envolvendo humilhações, agressões físicas e psicológicas contra alunos com deficiência, com idades entre 4 e 7 anos.
De acordo com a investigação, a denúncia chegou de forma anônima, encaminhada pelo Ministério Público. O primeiro caso apurado envolve um menino de 5 anos que teria sofrido maus-tratos após um episódio de incontinência fecal.
Segundo o relato da delegada, a criança teria sido levada ao banheiro por uma professora e uma auxiliar, onde passou a ser humilhada. “A auxiliar e a professora desse aluno teriam praticado atos de maus-tratos, com xingamentos. Além disso, teriam jogado a cueca próxima ao rosto da criança, fazendo respingar fezes na face dela”, afirmou a delegada Luana Lopes. Segundo a delegada, testemunhas relataram que o menino permaneceu em silêncio durante toda a situação.
Conforme a Polícia Civil, outras mães e profissionais da instituição começaram a procurar a delegacia após tomarem conhecimento do caso.
Segundo os depoimentos colhidos, algumas crianças teriam sido submetidas a alimentação forçada. Em determinados casos, os alunos vomitavam durante o processo. “As professoras forçavam a alimentação até o ponto do aluno vomitar”, relatou Luana Lopes.
A delegada afirmou ainda que professores denunciaram agressões físicas e lesões consideradas suspeitas.
Em um dos casos, uma mãe teria presenciado a filha, que possui dificuldades de locomoção, ser arrastada por uma professora após cair no parquinho da escola.
FALTA DE APURAÇÃO
Segundo a Polícia Civil, mães afirmaram que procuraram a direção da Apae para denunciar os episódios, mas que as reclamações não teriam sido devidamente apuradas.
“Quando perguntamos se houve sindicância, atas ou qualquer procedimento disciplinar, fomos informados de que preferiram acreditar apenas na palavra das professoras”, afirmou a delegada.
Ainda conforme a polícia, as duas profissionais apontadas como autoras dos primeiros fatos de maus-tratos continuaram trabalhando normalmente e só teriam sido remanejadas de turma depois da pressão de familiares.
Já professoras que testemunharam os fatos e relataram as situações à direção acabaram desligadas da instituição, segundo a investigação. O inquérito policial já foi concluído e encaminhado ao Ministério Público. A Polícia Civil não divulgou os nomes das investigadas.
DIRETORIA DA APAE ANALISA DENÚNCIAS
Em contato com a reportagem, o presidente da Apae Apucarana, Cleverson Moliani, afirmou que está tomando conhecimento do teor do inquérito policial para avaliar que medidas serão adotadas na instituição.
“Essa situação me pegou de surpresa, mas queremos tranquilizar os pais de alunos e a população da cidade a respeito do trabalho prestado pela instituição. Temos 60 anos de atendimento, comemorados inclusive neste ano, e queremos deixar claro que temos uma equipe capacitada e muito envolvida. Prestamos um serviço muito qualificado”, afirmou o presidente, que assumiu cargo em janeiro deste ano.
Segundo ele, a investigação teria se iniciado em supostos fatos registrados no ano passado. Cleverson afirma que os detalhes do inquérito devem ser avaliados por membros da diretoria e departamento jurídico da instituição na tarde desta quarta-feira. Após análise da denúncias, a Apae deve se pronunciar novamente, possivelmente em entrevista coletiva. Ele não confirmou se as profissionais citadas pela Polícia Civil serão afastadas. A medida deve ser avaliada após análise do inquérito.