A Polícia Civil de Apucarana deu mais detalhes nesta sexta-feira (20) sobre a prisão do “herdeiro” da facção criminosa conhecida como “Tropa do Tubarão”, em Itapevi, estado de São Paulo. Investigações apontam que o suspeito, conhecido como Toró, é sobrinho de Nenezinho e Nenezão, principais chefes do grupo. Segundo a polícia, após a prisão dos tios durante a Operação Baby Shark, em 2024, ele assumiu o comando da organização criminosa, tentando reestruturar o domínio do tráfico de drogas a partir do interior paulista, onde se escondia mudando de cidade mensalmente para escapar das autoridades.
O delegado-chefe da 17ª Subdivisão Policial (SDP), Marcus Felipe da Rocha Rodrigues, destacou o trabalho de inteligência para chegar ao paradeiro do suspeito que foi preso na última terça-feira (17). “A prisão foi resultado de um trabalho conjunto realizado entre a Polícia Civil e a Polícia Militar do Estado de São Paulo. As informações que estavam chegando aqui na unidade policial é que esse indivíduo, após a prisão e da extinção da Tropa do Tubarão, estava atuando para retomar o tráfico naquela região (zona leste de Apucarana)”, informou Rodrigues.
Segundo o delegado Victor Hugo Torres Bento, Toró já vinha sendo monitorado pelas autoridades e teve seu protagonismo evidenciado em ações policiais posteriores. “Na Baby Shark percebemos diversos integrantes desse grupo criminoso, e esse indivíduo ocupava uma posição de proeminência na estrutura da organização criminosa. Ele não foi preso naquela ocasião, estava foragido. Durante a operação Comensais, deflagrada no ano passado, identificamos uma vertente de pessoas ligadas à Tropa do Tubarão que pretendiam permanecer e perpetuar aquele jeito de fazer o crime aqui em Apucarana”, explicou o delegado.
Ainda segundo Bento, o sucessor possui mandados de prisão em seu nome além de ser investigado por participar de organização criminosa e associação ao tráfico de drogas. (Com reportagem Gabrielly Campos).
Suspeito mudava de cidade todo mês
O delegado Ricardo Monteiro, que também participou da investigação, detalhou a ascensão do suspeito dentro do grupo criminoso e o esquema elaborado de fuga do traficante para São Paulo. “Durante o período em que os tios exerciam o comando absoluto dessa organização criminosa Toró possuía um papel de menor importância na estrutura criminosa. Mas após a prisão, ele passou a tentar dar continuidade a essas condutas criminosas, tentar manter vivo o que sobrou da da organização criminosa”, afirmou.
Para despistar as autoridades, Toró mudava de cidade mensalmente. Segundo o delegado, o trabalho de inteligência realizado em conjunto com o Batalhão de Ações Especiais de Polícia (Baep) de São Paulo foi fundamental para mapear a estratégia do foragido.