O governo dos Estados Unidos confirmou anteontem a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros após a conclusão de uma investigação comercial conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA. A medida, que entra em vigor em 22 de julho, atinge milhares de produtos nacionais, incluindo itens fabricados na região, como móveis, vestuário, calçados e químicos. Contudo, especialistas avaliam que a medida não deve impactar a exportação regional, mas tem potencial para influenciar os investimentos e a dinâmica da economia.
Dados da plataforma Comex Stat, do governo federal, mostram que, dos treze municípios da região com atividade no mercado internacional, sete registraram operações comerciais com os Estados Unidos no primeiro semestre deste ano, que totalizam US$ 11,6 milhões. Contudo, apenas três municípios venderam itens que passaram a ser sobretaxados, como móveis, produtos químicos e máquinas. O montante exportado aos EUA corresponde a 10% do total das exportações regionais, que alcançaram US$ 106,1 milhões. Os principais parceiros comerciais da região são os países da América do Sul.
Entre os municípios que comercializaram itens sobretaxados está Arapongas, que exportou móveis, máquinas, chapéus e artefatos de malha, renda ou feltro para os EUA, com uma soma de US$ 392,7 mil. O número equivale a menos de 1% do total de US$ 47,8 milhões exportados pelo município para mais de 50 países. Sabáudia também registrou a venda de US$ 80,5 mil em móveis para o mercado norte-americano neste ano.
Apucarana somou US$ 226 mil em exportações para os Estados Unidos neste ano, com a venda de produtos químicos, máquinas e veículos, partes e acessórios. Os químicos e as máquinas integram a lista da nova taxação, enquanto o setor de veículos sofre incidência de tarifa regulamentada pela Seção 232 da Lei de Expansão Comercial de 1962, mantida por Washington.
O maior parceiro comercial dos EUA na região é São Pedro do Ivaí, com registro de US$ 10 milhões em exportações de leveduras e ração animal no primeiro semestre. Contudo, os itens não constam na lista da nova taxa. Cambira, Faxinal e Jandaia do Sul também registraram operações com os EUA, mas comercializam produtos isentos do tributo.
SETOR MOVELEIRO DE ARAPONGAS NÃO SERÁ AFETADO, AFIRMA SIMA
O presidente do Sindicato das Indústrias de Móveis de Arapongas (Sima), José Lopes Aquino, avalia que o impacto da medida no polo moveleiro local é contido, uma vez que as exportações do setor, que já somam US$ 35,2 milhões, destinam-se majoritariamente a países da América do Sul, América Central e continente africano.
“Sobre o polo de Arapongas, o impacto realmente é pequeno. Temos no polo duas ou três empresas de sofás de linha alta que faziam exportação para os EUA, porém, desde o início dessas taxações, já devem ter se ajustado e buscado outros mercados”, comenta.
Aquino, entretanto, projeta prejuízos à economia do Brasil devido à representatividade do mercado norte-americano, com concentração de danos nas empresas e unidades da federação (UFs) ligadas diretamente à produção dos itens sobretaxados.
Produção de Apucarana é destinada ao mercado interno, diz Sivale
A presidente do Sindicato das Indústrias do Vestuário de Apucarana e Região (Sivale), Elizabete Ardigo, informa que a produção das empresas locais tem como foco o mercado interno. As exportações para os Estados Unidos representam uma fração muito reduzida dos negócios no polo de confecção do Paraná.
No entanto, o impacto direto da tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos apresenta limite para as indústrias de confecção locais. “As empresas exportadoras enfrentam possibilidade de perda de competitividade devido à elevação de preços para o consumidor norte-americano”, diz. Ardigo ressalta que a medida gera reflexos indiretos, como a insegurança no comércio internacional e influências nos investimentos. A entidade descarta, no atual cenário, impactos expressivos para a indústria de confecção de Apucarana e do Vale do Ivaí.