O excesso de chuva registrado nos últimos meses fez o preço do tomate disparar 50% em menos de um mês em Apucarana. Segundo o Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), a caixa com 23 quilos de tomate comercializada pelo produtor passou de R$ 120, no início de outubro, para R$ 180 na semana passada. Na comparação com o mesmo período do ano anterior, quando a caixa custava R$ 50, a alta atinge 260%. Para o consumidor final, o produto chega a custar R$ 17 o quilo em alguns estabelecimentos da cidade.
De acordo com o técnico do Deral, Adriano Nunomura, a alta é reflexo do clima instável, que reduziu a oferta, sobretudo, em regiões produtoras. “O excesso de chuvas tem impedido o replantio. Há aumento da incidência de doenças devido à umidade e a baixa insolação atrasa o amadurecimento. Por isso nos mercados há boa parte desses produtos ainda verdes, menores e com a qualidade prejudicada”, explica.
Nunomura comenta que o clima em Minas Gerais e São Paulo, que estão entre os maiores produtores do país, prejudicou as safras. “A produção nessas regiões está bem baixa devido ao excesso de chuvas, e isso aumentou a procura do produto em nossa região, principalmente em Marilândia do Sul, que apesar das condições climáticas, ainda está tendo um pouco de produção e atendendo a demanda de outras regiões, com produto valorizado”, informa.
Na ponta final, o aumento atinge o bolso do consumidor com preços elevados e qualidade reduzida. O empresário Alexandre Himawari nota que a alta afeta as vendas na sua frutaria, onde o quilo sai a R$ 16,99. “O tomate é praticamente um item da cesta básica e o consumidor sabe o preço de cor. Quando o valor aumenta, os clientes acabam substituindo por outro produto ou compram em menor quantidade”, pontua o proprietário.
ESTABILIZAÇÃO
Produtor de tomate, Rafael Saragoza, de Apucarana, acredita que os preços só devem recuar se houver estabilização no tempo. Segundo ele, o excesso de chuva nos últimos meses paralisou o desenvolvimento do cultivo. “Choveu muito e fez frio fora de época nas regiões produtoras. Com isso, o tomate demora mais para amadurecimento e falta fruto pronto para colher. A tendência é aliviar o preço quando esquentar e a oferta aumentar, mas isso depende de a chuva dar uma trégua”, comenta. “, relata.