A indústria do vestuário se consolidou como uma das principais engrenagens da economia de Apucarana. Segundo informações da Secretaria de Indústria e Comércio e Secretaria da Fazenda o setor é responsável por aproximadamente R$ 742 milhões da riqueza gerada no município, montante que corresponde a 15% do Produto Interno Bruto (PIB) local, estimado em R$ 4,8 bilhões, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2023. Com quase três mil empresas ativas, a maioria de micro e pequeno porte, o segmento sustenta dois terços de toda a atividade industrial da cidade.
De acordo com o secretário municipal da Fazenda, Rogério Ribeiro, o impacto produtivo atinge e financia a sociedade como um todo. A área de confecção gera 7,4 mil empregos formais diretos, o que equivale a 54% da indústria de transformação local e 21,5% de todos os trabalhadores com carteira assinada no município. Segundo Ribeiro, a massa salarial anual se aproxima de R$ 197 milhões.
“Por ser intensiva em mão de obra, a riqueza não fica concentrada, ela vira salário, e salário vira consumo no comércio”, afirma o secretário. Ribeiro explica que o valor adicionado gerado por essas indústrias define os repasses governamentais de ICMS para a prefeitura. “O setor sustenta também a nossa capacidade de investir em saúde, educação e infraestrutura. O desafio hoje não é produzir mais peças, é agregar mais valor a cada peça”, destaca.
A força produtiva apucaranense também atua como motor econômico para todo o Vale do Ivaí. O secretário explica que o modelo produtivo funciona em rede. “Apucarana concentra o desenvolvimento do produto, o corte, a marca e a comercialização, e distribui costura e acabamento para faccionistas de municípios do entorno na região”, ressalta Ribeiro, acrescentando que esse arranjo mobiliza mais de 2,8 mil negócios diretos e indiretos e cerca de 20 mil trabalhadores no entorno.
Para o secretário de Indústria e Comércio, Neno Leiroz, a manutenção e a ampliação da liderança têxtil exigem estratégias conjuntas. Ele defende o investimento contínuo em inovação, qualificação profissional, infraestrutura e tecnologia. “Apucarana tem uma vocação muito clara para o vestuário e temos que trabalhar para fortalecer cada vez mais essa identidade. O objetivo é criar condições para que as empresas possam crescer, inovar, aumentar sua produtividade e conquistar novos mercados”, analisa.
Leiroz salienta a importância de proteger o histórico construído pela Capital do Boné nas últimas décadas. “Temos uma história muito forte, mão de obra especializada e uma cadeia completa. Isso é um patrimônio econômico do município que precisa ser valorizado e desenvolvido”, conclui.
Fábrica investe em bem-estar do trabalhador
Com cerca de 170 colaboradores, a fabricante de bonés, bolsas e camisetas gerida pelo empresário Marcelo Gabardo busca consolidar um ambiente profissional saudável e seguro para valorizar a equipe e reter talentos. A estrutura conta com suporte do setor de Recursos Humanos e prioriza o respeito mútuo no ambiente produtivo.
As iniciativas visam elevar a qualidade de vida interna e manter os profissionais qualificados na empresa. “Procuramos desenvolver diversas iniciativas que contribuam positivamente para o ambiente de trabalho e para a convivência dentro da empresa. Prezamos muito pelo respeito entre as pessoas, independentemente da função ou posição que ocupem dentro da empresa. Acreditamos que essas práticas contribuem para a qualidade de vida e para a satisfação dos nossos colaboradores”, ressalta Gabardo.
SIVALE FOCA EM INOVAÇÃO TECNOLÓGICA
A presidente do Sindicato das Indústrias do Vestuário de Apucarana e Vale do Ivaí (Sivale), Elizabete Ardigo, ressalta que o principal desafio do setor atualmente é aumentar a produtividade e a competitividade. Segundo ela, as empresas locais enfrentam gargalos crônicos, como a escassez de mão de obra qualificada, os altos custos de produção, a necessidade de atualização tecnológica e a concorrência direta com as importações.
Para reverter esse cenário, o sindicato atua para aproximar os empresários de inovações, por meio de parcerias com o Sistema Fiep, o Sebrae e o Arranjo Produtivo Local (APL). O cronograma do Sivale engloba cursos, palestras, rodadas de negócios nacionais e internacionais e missões em feiras. No início deste mês, por exemplo, o polo recebeu a missão internacional “Conecta Mundo Itália”. “Nosso objetivo é preparar as empresas para crescer, produzir com eficiência e gerar empregos de qualidade, fortalecendo Apucarana cada vez mais como um grande polo do vestuário no Brasil”, pontua a presidente.