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Troca de figurinhas da COPA une gerações

Gabriela Jacuboski

| Edição de 22 de maio de 2026 | Atualizado em 22 de maio de 2026

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Antes mesmo de a bola rolar na Copa do Mundo de 2026, a corrida pelas figurinhas do torneio já começa a tomar as proporções de outros mundiais, unindo crianças e adultos em um só propósito: completar o álbum.

É o caso de Marcelo Aoki, 51 anos, técnico em informática. Ele começou a montar álbuns em 2014 para acompanhar o filho, na época com sete anos, e nunca mais parou. “Na Copa de 2018, meu filho já era adolescente e nem quis saber. Nesse ano, na primeira semana de vendas, eu estava trabalhando em Guarapuava e me ligaram de uma banca em Londrina, dizendo que tinha chegado as figurinhas, era o primeiro lugar que tinha. Eu entrei no carro, passei em Mauá da Serra, peguei um amigo meu e fomos direto para Londrina. Compramos uns 100, 150 pacotinhos cada um. Só eu completei três álbuns”, disse.

De lá para cá, a paixão só aumentou. Foram sete álbuns completados no total, sendo os dois últimos recentemente, menos de um mês após o lançamento. “Minha esposa fala que eu viro criança de quatro em quatro anos. Agora, são 994 figurinhas a um real cada figurinha. Ficou caro, mas a gente é doido”, brincou. Marcelo ainda explicou que chegou a ficar cerca de uma hora em uma fila no McDonald’s e a ir para Londrina para comprar as novas figurinhas.

Para ele, o ritual de trocas virou um momento de terapia e de diversão. Um espaço onde as diferenças entre as classes sociais e a idade não importam. “Você tem da pessoa mais humilde até a pessoa mais rica trocando figurinhas. Todo mundo é igual. Além disso, você também constrói um círculo de amizade”, acrescentou.

Marcelo também explicou que o álbum da Copa atravessa gerações e encanta crianças, adolescentes e adultos. A brincadeira não tem idade. Durante as trocas, é possível observar uma criança negociando figurinhas com um senhor de 70 anos. “E os dois brigando, ninguém é bonzinho nessa história não, é um por um e troca é troca”, comentou.

Já o empresário e professor de Educação Física, Leonardo Rocha de Oliveira, de 41 anos, coleciona figurinhas da Copa do Mundo desde 1990, quando tinha cinco anos. “Eu não me lembro muito dessa época. Mas em 1994, eu lembro de trocar figurinhas, ir na banca, aquela emoção de comprar figurinhas e ver qual iria aparecer. Então, eu tenho todos os álbuns completos e agora estou colecionando o de 2026”, disse, ainda recordando que as figurinhas tinham que ser coladas mesmo e não apenas destacadas como é feito atualmente.

O professor acredita que hoje há mais pessoas entusiasmadas com os álbuns do que quando ele era criança. Leonardo apontou que o saudosismo pode ser um dos principais motivos para os mais velhos continuarem a colecionar. “O que mais motiva a colecionar é essa memória afetiva. Desde o pai ajudando o filho, do pai indo junto, de você ter um tempo só para você, de você sentar, colar a figurinha. Isso remete muito à infância”, acrescentou.

NOVA GERAÇÃO DE OLHO NOS CRAQUES

Se para os adultos a nostalgia dita o ritmo, para as crianças a emoção está na descoberta diária. Beatriz Pedrero, de apenas 9 anos, começou sua coleção própria para a Copa de 2026 há pouco tempo. “Está sendo legal, mas difícil de conseguir as figurinhas raras”, avaliou a garota.

A figurinha mais desejada por ela, inclusive, não é de um jogador da Seleção Brasileira. Ela revelou que sua preferência na busca pelos pacotinhos é o craque português Cristiano Ronaldo. “Porque é um pouco rara e também é o meu segundo jogador favorito”, justificou, lembrando que o primeiro lugar de sua torcida vai para o brasileiro Neymar.

Esta é a primeira vez que Beatriz é a verdadeira “dona” do álbum. “A outra vez foi em 2022, mas o álbum era da minha irmã. Eu só ajudava ela a colar. Agora, meu avô, minha avó e meu pai estão me ajudando”, concluiu.